Há cerca de um mês, a microempresária Fernanda Batista realizou um sonho. Depois de emagrecer muito, ela fez duas cirurgias plásticas, turbinou o corpo e fez as pazes com a autoestima. A operação só foi possível depois de um financiamento bancário.

O empréstimo para atender às demandas estéticas, aliás, caiu no gosto dos brasileiros de tal forma que bancos chegam a oferecer linhas de crédito especiais para o propósito. Os consórcios de serviço também estão em alta.

Nos primeiros quatro meses do ano, o uso da carta de crédito para este fim aumentou 68%, de acordo com a Associação Brasileira de Administradores de Consórcios (Abac).
 
Nos bancos

No Bradesco, por exemplo, é possível financiar até 70% das cirurgias, com valor máximo de R$ 20 mil. As parcelas podem ser pagas em até 48 meses, em débito automático.

Por meio da BB Administradora de Consórcios, o Banco do Brasil (BB) oferece, no segmento de serviços, cartas de crédito de R$ 1,5 mil a R$ 15 mil, com planos de 30 meses e taxas de administração a partir de 0,6111% ao mês. Embora a carta possa ser utilizada para diversos fins, os clientes têm utilizado os recursos cada vez mais para a beleza. Segundo o diretor de Empréstimos e Financiamentos do BB, Edmar Casalatina, houve aumento de 189% no uso da carta para cirurgias plásticas estéticas e de 225% para repara-tórias em 2014.

“O consórcio se destaca como uma forma econômica e planejada para realização do sonho”, diz Casalatina. Apesar do cenário de restrição ao crédito, Fernanda afirma que não foi difícil conseguir o empréstimo. Cerca de R$ 10 mil foram contratados junto à entidade financeira escolhida por ela. Outros R$ 2 mil foram pagos como entrada. “Se não fosse o financiamento, eu provavelmente não faria a cirurgia agora”, relata.

Conforme afirma o diretor do departamento de Assistência Social da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Cláudio Salum Castro, financiar a plástica é mais comum do que se imagina. Vale ressaltar, aliás, que em 2014 o Brasil passou os EUA e se firmou como o país onde mais se faz esse tipo de cirurgia no mundo.

Financiamento próprio

Os próprios consultórios fazem parceria com operadoras de cartão de crédito com o objetivo de dividir em até seis vezes sem juros os procedimentos. Ou em até 12 com juros. “O Brasil tem a cultura do parcelamento, o que não acontece em outros países”, diz o médico.

Como reflexo, ele afirma que há uma enorme diversificação do perfil de quem investe em estética, no que diz respeito à classe social.

“Hoje, todo mundo que desejar pode fazer uma cirurgia plástica, das classes mais altas às mais baixas, o que é maravilhoso”, enfatiza.

Plásticas vêm em segundo na preferência de quem investe em consórcios de serviços

Das pessoas que fizeram consórcios de serviços nos últimos seis meses, 18,8% utilizaram a carta para procedimentos de saúde e estéticos, ocupando a segunda posição no ranking de maior uso do crédito. O primeiro lugar ficou com serviços residenciais, que representam 54,7%.

De acordo com o presidente regional da Associação Brasileira de Administradores de Consórcios (Abac) para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, João Pedro Salomão, o índice dos procedimentos estéticos só não é maior porque o produto ainda não é tão conhecido.

“A pessoa pode fazer uma carta crédito para cirurgia plástica, para fazer uma festa, instalar uma piscina, cursar uma universidade no exterior, entre outras. Os propósitos são muitos”, afirma.

Ele explica que os pagamentos são feitos de 24 a 36 meses e, normalmente, as cartas liberadas giram entre R$ 7 mil e R$ 20 mil. A pessoa recebe a carta de crédito quando dá um lance alto, ou quando é contemplado. “Muita gente faz o consórcio sem saber o que vai fazer com o dinheiro. É uma forma de se programar”, comenta.

Dicas

Apesar de as cirurgias plásticas terem disparado no Brasil, o diretor do departamento de Assistência Social da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Cláudio Salum Castro, ressalta que os procedimentos têm riscos e, portanto, é necessário escolher com cautela o médico. Encontrar um profissional habilitado para fazer a cirurgia é a primeira e mais importante dica.

“O médico deve fazer parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica”, enfatiza Castro. Além disso, ele afirma que o interessado deve pesquisar as condições da clínica ou do hospital em que o procedimento será realizado. “Conhecer os resultados do profissional, conversando com pacientes dele, também é importante”, conclui.