Os maiores partidos da Câmara dos Deputados, incluindo os que o apoiaram o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT), agora buscam tomar, definitivamente, a presidência de Eduardo Cunha (PMDB).

Afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha tinha, há dois meses, o apoio de quase todos os partidos de oposição ao governo Dilma, como DEM, PSDB, PPS e PSD. Hoje, as legendas se uniram para tentar tirá-lo, definitivamente, da Mesa Diretora.

Nesta última semana, Roberto Freire (PPS) iniciou um movimento para recolher assinaturas com o intuito de declarar vaga a presidência da Casa e realizar novas eleições.

O intenção é a aprovação de um projeto de Resolução que permita novas eleições. “O Conselho de Ética não anda com seus trabalhos e o STF mal começou a investigação. Mas aconteceu um fato que pode nos ajudar a tirá-lo da presidência. Com a suspensão do mandato por tempo indeterminado, nós podemos declarar vago o cargo. Feito isso, em cinco sessões, a partir da quinta sessão podemos fazer uma nova eleição”, afirmou Freire.

Segundo o deputado, são necessárias assinaturas de 171 parlamentares, ou de suas lideranças, para que seja possível aprovar a Resolução. Atualmente, já estão garantidos 119 votos.

“Precisamos viabilizar essa mudança, porque é bom para o governo Temer e, principalmente, para o país. Nós precisamos ter um presidente da Câmara que seja responsável”, afirmou, criticando o presidente interino, Waldir Maranhão (PP).

Por outro lado, os partidos que foram contra o impeachment, principalmente o PT, PCdoB, Rede e Psol não apoiam a proposta de Freire. Ela é vista como uma tentativa de salvar o mandato de Cunha.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Afonso Florence, afirma que a solução é a cassação de Cunha no Conselho de Ética.

“O grupo de Eduardo Cunha rachou na disputa da indicação da liderança de governo, e eles agora estão querendo disputar a sucessão de Eduardo Cunha. A lei prevê que vacância é por cassação, falecimento ou renúncia. Nós queremos cassar Eduardo Cunha, mas com a cassação do mandato”, enfatizou.

Tia Eron
O senador licenciado do PRB Marcelo Crivella afirmou ter alertado sua colega de partido, a deputada Tia Eron (BA), de que “não há defesa” para o deputado afastado Eduardo Cunha no Conselho de Ética e recomendou que votasse pela cassação. 

“É o que eu disse a ela: ‘Eron, não gostamos de cassar um colega, é triste, doloroso, mas não há defesa. Não tem como’”, afirmou.

O voto de Tia Eron é decisivo para cassar ou salvar o mandato de Cunha. Pré-candidatos, respectivamente, às prefeituras do Rio e de São Paulo, Crivella e o deputado Celso Russomanno, também do PRB, defenderam publicamente que Tia Eron vote pela cassação, em uma estratégia para se descolar de um efeito negativo caso ela salve Cunha. 

Crivella diz que a posição “majoritária” entre os integrantes do partido é que o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM), pedindo a cassação, é “fulminante”. “Caracteriza que há recursos em contas no exterior que foram negados”, afirmou o senador licenciado. 

Para ele, não houve acordo entre o agora ministro do Desenvolvimento, Marcos Pereira (PRB), e o governo Michel Temer (PMDB) para salvar Cunha. Isso porque, segundo ele, Pereira nem queria aceitar o cargo de ministro. 

 

Procurador-geral faz a terceira denúncia ao STF contra o presidente afastado da Câmara

 

TeoriTeori Zavascki liberou ontem para julgamento a segunda denúncia contra Cunha

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu ontem a terceira denúncia contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Operação “Lava Jato”, que apura um esquema de corrupção na Petrobras. 

A acusação desta vez é de que o parlamentar tenha solicitado e recebido propina do consórcio formado por Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia –que atuava na obra do Porto Maravilha- no montante de cerca de R$ 52 milhões.
 
Os recursos seriam vantagens indevidas pela aquisição de títulos da prefeitura do Rio de Janeiro pelo Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS). Segundo as investigações, Cunha era próximo do então vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, que integrava o conselho curador do FGTS. O dinheiro do fundo seria utilizado para permitir as obras do porto. 

Em seus acordos de delação premiada, os empresários Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior entregaram uma tabela de transferências de contas no exterior. 

De acordo com os empresários, as transferências eram propina para Cunha com o objetivo de obter a liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS para o projeto do Porto Maravilha, no Rio, do qual a Carioca Engenharia obteve a concessão em consórcio com as construtoras Odebrecht e OAS. Essa liberação ocorreria por influência de Fábio Cleto. 

As transferências informadas à PGR totalizam US$ 3,9 milhões entre 2011 e 2014, saindo de contas na Suíça dos delatores para cinco contas no exterior que eles afirmam terem sido indicadas pelo próprio Cunha. 

As contas que receberam propinas foram as seguintes, segundo os empresários: Korngut Baruch no Israel Discount Bank (sede em Israel), Esteban García no Merrill Lynch (EUA), Penbur Holdings no BSI (Suíça), Lastal Group no Julius Bär (Suíça) e outra Lastal Group no Banque Heritage (Suíça). 

Segundo Ricardo Pernambuco Júnior, Cunha esteve pessoalmente no escritório da Carioca Engenharia em São Paulo em 10 de junho de 2014. A defesa de Cunha informou que ainda não teve acesso à denúncia e, portanto, que não iria comentar. 


‘Lava Jato’ cobra US$ 10 milhões de Cláudia Cruz

 

Denúncias – Cláudia Cruz é acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas

O Ministério Público Federal pediu à Justiça que fixe em US$ 10 milhões (R$ 36 milhões) o montante mínimo para reparação dos danos causados à Petrobras por Cláudia Cruz, mulher do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo ex-diretor da área Internacional da estatal Jorge Zelada, o operador de propinas do PMDB João Henrique Areias e o empresário português Idalecio Oliveira. Cláudia Cruz e os outros três acusados se tornaram réus em ação penal na Operação “Lava Jato” na última quinta-feira.

A mulher de Eduardo Cunha é acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os investigadores descobriram que ela gastou quase US$ 1 milhão no exterior em compras de artigos de luxo, desde sapatos e bolsas até roupas e refeições em restaurantes de alto padrão em Milão, Lisboa, Paris e Dubai.

O dinheiro que permitiu a Cláudia temporadas de conforto e prazer no exterior teve origem em propinas que seu marido recebeu no esquema Petrobras, segundo a força-tarefa da “Lava Jato”.

A Procuradoria acusa Jorge Zelada por corrupção passiva. João Augusto Rezende Henriques foi denunciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Idalecio Oliveira é réu por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, envolvendo valores do esquema de corrupção instalado na Diretoria Internacional da Petrobras.

Os US$ 10 milhões de indenização se referem ao pagamento de propina total para que a compra, pela estatal petrolífera, de um campo de petróleo na África fosse concretizada, em 2011. O negócio foi fechado em US$ 34,5 milhões. Quase um terço do valor total foi destinado a pagamento de propina, segundo a Procuradoria da República.

A força-tarefa da “Lava Jato” mapeou o caminho do dinheiro, que começou no pagamento da Petrobras à petroleira CBH, controladora do campo de petróleo na África.

Em 3 de maio de 2011 a estatal brasileira transferiu US$ 34,5 milhões (R$ 138.345.000,00) para a empresa e, na mesma data, houve a transferência de US$ 31 milhões da CBH para Lusitania Petroleum, holding de propriedade de Idalecio de Oliveira que, abrange, entre outras empresas, a própria CBH.

Dois dias depois a Lusitania depositou US$ 10 milhões em favor da offshore Acona, de propriedade de João Augusto Rezende Henriques, operador do PMDB no esquema da Petrobras. O valor já havia sido combinado como pagamento de “vantagem indevida”. Da offshore Acona, 1.311.700,00 francos suíços foram depositados na conta Orion SP, de propriedade de Eduardo Cunha.


Peemedebista nega que esposa tenha recebido recurso ilícito

O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a dizer que a conta de sua mulher no exterior “está dentro das normas da legislação brasileira e não tem nada a ver com recursos ilícitos”. Ontem, em nota, Cunha disse que será “facilmente comprovado” que não foi transferido dinheiro do truste do qual é beneficiário na Suíça para a conta de Cláudia Cruz no exterior.

“Volto a reafirmar que não houve recebimento nem utilização de qualquer vantagem indevida e que a acusação de que valores de propina foram gastos em artigos de luxo são falsas, sendo que a referida denúncia não apresentou qualquer prova em relação a isso”, afirma o texto. 

Cunha também voltou a defender a sua tese de que os valores depositados em seu truste no exterior tiveram origem antiga, sem nenhuma relação com a vida pública.
 

Zavascki liberou para a pauta de julgamento a denúncia contra o deputado Nelson Meurer (PP-PR) e seus dois filhos, acusados por corrupção

 

Patrimônio próprio
Já a sua mulher, alega, possui patrimônio próprio adquirido durante seu trabalho como jornalista. Ele a Cláudia alegam que ela recebeu R$ 5 milhões de indenização da Justiça do Trabalho por uma ação contra a Rede Globo.

Julgamento
Ontem, o ministro Teori Zavascki, relator da “Lava Jato” no Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento a segunda denúncia contra Cunha. Ele é acusado de manter contas secretas no exterior abastecidas pelo dinheiro desviado do esquema de corrupção da Petrobras.  O mais provável é que o caso seja levado a plenário no dia 23 de junho.


Com Agências