O Instituto DataQuest de Pesquisas está mudando a sede do Sul de Minas Gerais para Belo Horizonte, no intuito de estender a atuação no Estado e ampliar a oferta de produtos, especialmente a partir da eleições municipais do ano que vem.

Diretor geral do instituto, Hermes Naves chegou ao ramo das pesquisas quando trabalhava em uma agência de publicidade. A partir de então, ampliou os conhecimentos dentro da nova área. “O planejamento da publicidade é sempre baseado em pesquisa. Acabei gostando mais do que da publicidade, que é o final do planejamento, justamente pelo foco no resultado. A publicidade em si não dá resultado, a pesquisa consegue te dar uma estrutura mais concreta, daí você consegue ser mais efetivo”.

Ele cita o caso de um produto veterinário que não conseguia acompanhar os concorrentes e, a partir da pesquisa realizada, foi encontrada uma solução. 
“O segredo estava na embalagem. A dele (de quem encomendou a pesquisa) não tinha efeitos gráficos ou logomarca. Nas outras (da concorrência) tinha foto de cães e gatos, o que atraía o cliente. Após reformular a embalagem, as vendas cresceram 60%”, lembra o diretor do DataQuest.

Para explicar as estratégias das pesquisas, ele faz uma analogia com os exames de sangue. “Você coleta 3ml de sangue para detectar tudo que está ocorrendo no organismo”, conta Naves, lembrando que em f unção disso é necessário seguir à risca a metodologia para traçar um retrato fiel da realidade ao abarcar com precisão as regiões, bairros, classes sociais e gênero.

Com certificados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Conselho Regional de Estatística, Naves destaca o papel ético das pesquisas de intenção de voto. 
“A pesquisa é um componente estratégico das campanhas eleitorais, não é só um relatório da situação. Tem a capacidade de mudar a opinião pública, portanto não pode ser tendenciosa ou manipulada”, diz.

Ele cita elementos como o efeito manada, que gera influência nos indecisos, e a espiral do silêncio, teoria comunicacional de Elisabeth Noelle-Neumann nos anos 70. De acordo com Naves, variáveis que explicam a surpreendente vitória de Romeu Zema ao governo de Minas no ano passado. “É o que faz a virada de última hora. As pesquisas foram mudando a opinião das pessoas em relação a ele (Zema)”. 

Atualmente, cerca de 20 institutos de pesquisa de opinião política atuam no Estado, incluindo grandes empresas como Datafolha e Ibope, um mercado ainda com margem para ser explorado, na opinião de Naves.