Reza o ditado que: “quem não tem cão, caça com gato!” A Ford levou a sabedoria popular ao pé da letra e realizou seu desejo de ser proprietária de uma marca de esportivos italianos, em 1971, quando adquiriu quase 85% da De Tomaso.

O cinema já encarregou de contar que a Ford queria comprar a Ferrari para melhorar sua visibilidade no Velho Mundo e também para “arrematar” o bom desempenho nas pistas. Mas todo mundo sabe que a coisa não vingou, muito em função da manobra de Gianni “Avvocato” Agnelli, chefão da Fiat, que atravessou a negociação dos americanos para deixar a Ferrari sob comando de italianos.

Sem a Ferrari, a Ford foi atrás do argentino Alejandro De Tomaso e ofereceu para comprar parte de sua marca. Alejandro topou o negócio, uma vez que poderia utilizar mecânica Ford no sucessor do Mangusta, o Pantera.

Coração de Detroit
O Pantera estreou ainda em 1971, e carregava um V8 “Cleveland” 5.8 de 335 cv, que era conectado a uma caixa manual ZF transeixo de cinco marchas. Seu desenho era assinado por Marcello Gandini, que ficou famoso pelas linhas do Lamborghini Miura e Alfa Romeo Montreal. 

Ele trazia o melhor de dois mundos, o arrebatador design italiano, excelente dirigibilidade e a mecânica simples dos motores Ford. Tratava-se de um carro visceral com design agressivo, a traseira arrebitada deixava parte da transmissão à mostra. A seção dianteira bem afilada deixava o carro bicudo, principalmente nas versões enviadas para os Estados Unidos, que exigiam proteção frontal para pedestres.

Quando a marca lançou a versão GT5, em 1988, ele ganhou para-choques com asa inferior agregada, como no BMW M1 Procar.

Por dentro, o Pantera tinha quadro de instrumentos formado por dois relógios emoldurados para velocímetro e conta-giros. Os demais instrumentos de leitura foram posicionados na vertical, na coluna do painel, junto com demais comandos. A posição de dirigir era extremamente baixa e os ajustes eram limitados devido ao cofre do motor, logo atrás dos bancos.

Em 1974, a Ford vendeu sua parte novamente para Alejandro De Tomaso, que manteve o Pantera em linha até 1992. Ao todo, foram 7.260 unidades construídas. Em seus 21 anos de produção, o De Tomaso passou por atualizações sutis. Hoje seus preços variam de US$ 70 mil a US$ 230 mil, dependendo do estado de conservação e da série.