Em depoimento realizado nesta segunda-feira (8) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a tragédia da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, representantes da Defesa Civil apontaram que a dificuldade da Vale e do poder público em admitir e verificar o nível de risco da estrutura foram determinantes para a morte de centenas de pessoas. Deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ouviram também representantes sindicais.

Para o coordenador adjunto do órgão não houve por parte da mineradora qualquer informação de elevação do nível de risco da barragem que se rompeu. “Pela experiência que a gente tem, uma barragem não se rompe da noite para o dia”, explica o tenente-coronel Flávio Godinho Pereira.

Outro representante da Defesa Civil disse que até mesmo os animais que pastavam sobre a barragem rompida foram mais eficientes em prever o desastre. “Algumas vacas pastavam sobre a barragem diariamente. No dia do rompimento, elas saíram de lá bem antes. Parece que os animais têm como sentir as vibrações”, enfatiza o tenente-coronel Flávio Pereira.

Os deputados criticaram ainda o fato de todo o processo de identificação de risco ser realizado pela própria empresa. “Ela eleva o nível de risco, ela decide se toca a sirene”, afirma Beatriz Cerqueira (PT).

Luciano Pereira, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração Mineral e de Pesquisa, Prospecção, Extração e Beneficiamento de Ferro e Metais Básicos e Demais Minerais Metálicos e Não Metálicos de Brumadinho (Metabase), disse que falta investimento em segurança. “A Vale realizou estudos prévios que estimavam o custo de cada vida que poderia ser perdida em um eventual rompimento de barragem em Brumadinho. Este estudo teria apontado um valor de US$ 2,6 milhões por vida e a empresa optou por provisionar esse recurso, em vez de investir esse mesmo valor em ações de prevenção”, denuncia Pereira.

Ainda de acordo com sindicalistas, balanços financeiros da empresa mostram que o valor investido em segurança foi reduzido de R$ 359 milhões, em 2017, para R$ 207 milhões, em 2019.

Vítimas

Até o momento, o desastre com a barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão deixou 224 mortos; outras 69 pessoas continuam desaparecidas, conforme último balanço divulgado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

A tragédia

A barragem 1 de rejeitos de minério de ferro da Mina do Feijão rompeu no início da tarde do dia 25 de janeiro, deixando um rastro de lama e destruição. Além das mortes causadas, o rejeito soterrou casas, pousada e atingiu o rio Paraopeba, um dos afluentes do rio São Francisco.

*Com informações da ALMG

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