A eficiência energética é a obsessão do setor automotivo, de olho nos benefícios fiscais previstos no Inovar Auto, plano do governo federal para aumentar a competitividade e qualidade dos veículos produzidos no país.

O desafio do setor, em cadeia, é realizar um “upgrade” nas linhas de montagem, de onde deverão sair peças mais leves e com maior intensidade de tecnologia empregada. A corrida é para produzir internamente autopeças mais modernas, e impedir que os importados ganhem o mercado nacional.

“Vamos produzir aqui. As montadoras e seus fornecedores encontram no Brasil ambiente para crescer. Isso já está acontecendo. A Hyundai e a Honda se instalaram no país e trouxeram seus fornecedores, ou parte deles. Serão necessários investimentos, e temos um caminho muito claro à nossa frente, o que motiva as empresas”, afirmou o diretor-regional da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil) em Minas Gerais, Norberto Klein, durante o Simpósio SAE Brasil de Materiais, realizado na última quinta-feira na Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte.

Na prática, o governo trabalha para reduzir a defasagem da indústria automotiva nacional por meio do Inovar Auto. As montadoras com plantas no país ofertam veículos muito mais simples e com menor emprego de tecnologia, embora sejam mais caros, do que disponibilizam nos mercados europeu e norte-americano. Um dos motivos é o alto custo de produção no Brasil.

O gerente de engenharia de materiais da Fiat/Chrysler, Paulo Roberto de Carvalho Coelho Filho, lembra que os fornecedores do setor automotivo nacional são players globais, que detêm a tecnologia para dar maior eficiência ao veículos.

“Temos de conseguir fazer aqui o que já é feito lá fora, mas com custo acessível ao brasileiro. A tecnologia é conhecida e consolidada em outros mercados. O desafio do custo é maior do que o tecnológ-ico”, afirmou.

Para conseguir maior eficiência energética, o caminho mais óbvio é a produção de peças mais leves. Empresas como Delphi e Teksid já iniciaram a produção de componentes com materiais menos pesados e a Aethra planeja trazer ao Brasil uma linha de produção do chamado hot forming, uma tecnologia consolidada na Europa, que aumenta a capacidade de moldagem das peças produzidas e o faz com custos mais baixos do que o convencional.


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