Após 48 dias com portões fechados a unidade da FCA em Betim retomou suas atividades na segunda-feira (11). Segundo o grupo ítalo-americano o retorno das operações é gradual e contará num primeiro momento com 4 mil funcionários. Para isso, a FCA garante que foi desenvolvido um minucioso processo que envolveu os times de Manufatura, Meio Ambiente, Saúde e Segurança, além do setor de Recursos Humanos 

Para retomar às atividades a FCA desenvolveu um aplicativo para que cada funcionário possa relatar suas condições de saúde e informar se teve contato com alguém suspeito ou confirmado com Covid-19. Segundo a empresa, o objetivo é mapear potenciais casos. Além disso, todo funcionário deve usar máscara durante o transporte de ida e volta, assim como em todo o expediente. 

Dentro dos ônibus só podem sentar um passageiro em cada par de bancos, para garantir o distanciamento entre os funcionários. Cada ônibus passa contar com a figura do Capitão de Saúde, que é um funcionário treinado para orientar e garantir que todos os passageiros cumpram com os protocolos de segurança.

Para o acesso ao ônibus, é necessário usar máscara e apresentar o protocolo de realização da autoavaliação de saúde realizada previamente via aplicativo. De acordo com a fabricante, os coletivos também contam com recipientes com álcool em gel para higienização das mãos e distribuição de máscaras reservas para os casos de perda, inutilização ou esquecimento do EPI.

Para atestar que o sistema era eficaz, o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa, conferiu pessoalmente o novo sistema de transporte e acesso à unidade. “Na semana passada, eu acompanhei pessoalmente todos os passos da nova jornada dos nossos empregados, desde a viagem no ônibus até o momento da volta para casa”, afirma o executivo.

Já na portaria, logo após a catraca foram instaladas câmeras termográficas para medição de temperatura corporal. Sempre que um funcionário apresentar temperatura superior a  37,5°C (estado febril) um alerta é emitido e um protocolo específico é iniciado, assegurando a atenção médica devida ao trabalhador com quadro febril.

Os quatro mil trabalhadores atuam na linha de produção e correspondem a 35% do efetivo da planta. Para os demais setores administrativos, o regime de home office continua valendo, Segundo a FCA, o plano é diminuir ao máximo o fluxo de pessoas na fábrica.

Produção

Segundo a FCA esta semana será feito um trabalho de reinício do setor operacional, como verificação de todos equipamentos, postos de trabalho, insumos para dar dar início ao processo fabril. "Nesta primeira etapa, as prioridades são o treinamento efetivo dos funcionários para adoção dos novos procedimentos de segurança. Também é o momento de avaliar e colocar em movimento os equipamentos, sistemas e processos em andamento, depois de 48 dias de suspensão da produção. Depois de um longo período parado, precisamos de um período de ajustes até alcançarmos as plenas condições operacionais", explica o gerente de Saúde e Segurança do Trabalho da FCA para a América Latina, Neylor Bastos.

Ainda segundo o gerente: "O volume de produção seguirá uma rampa de crescimento no decorrer dos dias, acompanhando a demanda do mercado. Antes da suspensão das atividades em 23 de março, o ritmo de produção era de cerca de 1.500 veículos por dia em Betim", aponta.

Novos produtos

De acordo com executivos da FCA, há uma estimativa prévia de que novos projetos sofram atrasos de três a 12 meses. No entanto, a empresa ainda considera cedo estimar o tempo de atraso de lançamentos, uma vez que ainda não há uma conclusão sobre a pandemia. "A Strada deveria ter chegado em abril. O carro está pronto, mas não tivemos como lançar. Torcemos para que seu atraso seja de apenas três meses e não seis. mas ainda é cedo para fazer previsões", explica o diretor de Comunicação, Fernão Silveira.