O deputado federal mineiro Rogério Correia (PT) impetrou nesta quarta-feira (30) um requerimento no qual pede a proteção do porteiro do condomínio onde a família do presidente Jair Bolsonaro (PSL) morava antes de se mudar para Brasília. O homem teria mencionado uma suposta ligação entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e um dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. O crime aconteceu em março de 2018 e também tirou a vida do motorista da parlamentar, Anderson Gomes.

O pedido foi apresentado durante a manhã na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público e encaminhado à Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Segundo justifica o deputado, a proteção se fez necessária após uma reportagem do Jornal Nacional nessa terça-feira (29) citar o depoimento do trabalhador. "Esse fato grave nos leva a ter uma preocupação muito grande com esse porteiro porque ele foi testemunha, o nome dele está público, e ele corre risco de vida", pontuou.

Ao Hoje em Dia, Rogério Correia ainda ressaltou o clima tenso que toma conta da Câmara dos Deputados, instaurado principalmente pelo bolsonarismo, que, para ele, mostra o risco à vida do porteiro. "O nervosismo mostrado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), as ameaças que ele faz à democracia e a ofensiva que tem sido armada para tentar desmascarar o porteiro em vez de apurar os fatos mostra o risco que esse homem corre", defendeu.

O pedido ainda está sendo enviado ao Ministério e, segundo o petista, já tem o apoio de toda a bancada do partido, o que deve se estender pela oposição como um todo.

Depoimento

A reportagem veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, aponta que a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes chegou ao nome da família Bolsonaro após o porteiro do condomínio onde a família morava à época do crime citar a visita de um dos acusados à casa do presidente. Segundo o depoimento do trabalhador, horas antes do assassinato, no dia 14 de março, o ex-policial Élcio de Queiroz entrou no local dizendo que iria na casa 58, de Bolsonaro, e que ao interfonar para a residência, o "seu Jair" autorizou a entrada.

Neste dia e horário, contudo, Bolsonaro, que era deputado federal, estava em Brasília e tinha, inclusive registrado presença e participado de votação na Câmara dos Deputados.

No depoimento, segundo mostrou a reportagem do Jornal Nacional, o porteiro disse ainda que o carro de Queiroz, ao entrar no condomínio, seguiu para a casa de Ronnie Lessa, sargento da PM, apontado também como participante do assassinato da vereadora, e que morar no mesmo local. O porteiro disse que voltou a ligar para a casa 58 e que o homem que o atendeu anteriormente disse que sabia para onde Queiroz estava indo.

Após a veiculação da reportagem, o presidente, que está em Riad, na Arábia Saudita, fez uma live em suas redes sociais para comentar as revelações. Na transmissão, Bolsonaro negou as acusações, atacou a TV Globo e acusou a emissora de "canalhice e patifaria", e deu a entender que não renovaria a concessão da emissora em 2022. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), também foi acusado pelo presidente de repassar o inquérito, que corre sob sigilo, à imprensa.

Em entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro disse que todos sabem o que acontece nos países da América do Sul, como o Chile, e acusou a Globo de querer levar essa crise para o Brasil, de não veicular denúncias que dizem respeito ao PT e as relações e contratos "bilionários" com a emissora.

Com Estadão Conteúdo

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