A aprovação da reforma política promete mexer com o cenário político em Minas Gerais já nas eleições de 2018. Na opinião de deputados e especialistas, a criação do “Distritão” e do fundo público para financiamento das campanhas deve interferir diretamente nas alianças e nos orçamentos dos partidos.

Líder do governo na Assembleia, o deputado Durval Ângelo se mostra contra a reforma proposta, destacando os impactos que a implementação do “Distritão” pode causar. “O que estamos vendo hoje é uma reforma eleitoral, não política. São questões pontuais. Essa reforma piora o modelo, vai gerar um aumento na crise da representação”, afirma.

Em relação ao fundo partidário, Durval se mostra preocupado com a verba destinada para o financiamento das campanhas.

“O financiamento público é correto, mas temos que deixar claro que os valores propostos são absurdamente altos. O ideal seria que tirássemos de emendas parlamentares para fazer esse financiamento público”, diz.

Quem corrobora com a opinião do petista é a deputada Rosângela Reis, do PROS. A parlamentar acredita que o novo sistema irá interferir diretamente na participação dos partidos de menor representação.

“O ‘Distritão’ acaba beneficiando os grandes partidos. Na hora da composição das bancadas dentro das câmaras e assembleias, o contraponto vai ser menor, com os partidos menores sendo prejudicados”, avalia. Entretanto, há quem entenda que a reforma seria benéfica para o cenário político do país.

Durval

 Para Durval, a reforma política vai piorar ainda mais o modelo

Líder do PSDB na Assembleia Legislativa (ALMG), o deputado Gustavo Valadares destaca a importância das mudanças. Na sua opinião, as alterações não afetariam diretamente o pleito. “O modelo atual está falido e uma reforma precisa ser feita. Como a regra seria para todo mundo, o que vão mudar são os valores e a colocação de nomes mais viáveis para ganhar as eleições”, afirma.

O parlamentar tucano entende que as mudanças propostas facilitariam a adoção do que, segundo ele, seria o sistema político ideal. “O caminho é o sistema distrital misto. Aí sim, com o acréscimo do valor do fundo partidário, faríamos uma transição que não seria tão ruim, já pensando no modelo que seria no futuro”, diz Valadares.

Os possíveis impactos da reforma política parecem preocupar não apenas a oposição e os membros dos partidos de menor representatividade.

Professor de Ciências Políticas do Ibmec, Lucas Azambuja entende que, no geral, a reforma provocaria um efeito negativo no cenário político do país. “O que há de positivo é acabar com a complicação e a falta de transparência da questão dos votos na coligação, do quociente. Mas o que essa reforma oferece é a perpetuação da classe que já está no poder. Quando se tem um fundo partidário desse tipo, somente os partidos que estão no poder são beneficiados. Já a renovação é barrada”, afirma.