A movimentação para troca de partidos em Minas Gerais já começa a delinear um rearranjo de forças para as próximas eleições. Nessa semana, o prefeito Alexandre Kalil deixou o PHS rumo ao PSD. Descontente com a postura dos tucanos em relação ao governo do Estado, o deputado João Vítor Xavier desfiliou-se do PSDB. Duda Salabert, primeira candidata trans ao Senado e que deve voltar ao páreo eleitoral no ano que vem, rompeu com o Psol, acusando a legenda de transfobia.

Kalil aproveitou o fim certo do PHS — que será extinto ao se fundir com o Podemos por não ter atingido a cláusula de barreira — e anunciou a migração para o PSD. O convite para mudança foi feito pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, há mais de dois meses. Mas o prefeito da capital mineira disse que não se envolverá na disputa pela presidência do partido no Estado, apenas se for “necessário”. 

“Seu eu for (presidente da legenda), é para acabar com a briga dentro do partido. Por que eu não tenho o menor saco para mexer com o partido”, afirmou Kalil.
Atualmente, o PSD-MG é comandado pelo deputado federal Diego Andrade, líder da bancada mineira na Câmara Federal. Recentemente, a sigla ganhou a adesão do também senador Carlos Viana, que abandonou o PHS pouco antes de Kalil.

O prefeito não adianta se a ida para o PSD pode render a candidatura ao governo de Minas, em 2022. Quando ainda estava no PHS, o presidente da legenda em Minas, Marcelo Aro, chegou a anunciar Kalil como nome forte para concorrer ao Palácio da Liberdade — o prefeito, porém, nunca confirmou a possibilidade de forma concreta.

As divergências ideológicas são um dos principais motivos para as desfiliações partidárias. Antes de deixar o PSDB, o deputado estadual João Vítor Xavier teceu críticas públicas à sigla. As reclamações começaram em janeiro, devido ao alinhamento dos tucanos com o governo de Romeu Zema (Novo). Além de compor a base governista, o deputado Luiz Humberto (PSDB) é o líder do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Na justificativa, João Vítor falou sobre as “incoerências ideológicas” do PSDB, que vive uma das principais crises de identidade da história, com críticas feitas por caciques como Fernando Henrique Cardoso (FHC) e escândalos de corrupção na conta de outros medalhões tucanos, como Aécio Neves e Eduardo Azeredo. 
</CW><CW-11>Em Minas, João Vítor critica a postura do partido que enfrentou Zema no segundo turno e, após a eleição, rapidamente decidiu compor a base governista.

“Não dá para aceitar essa situação. Há um tempo venho conversando com o presidente Domingos Sávio, ele me autorizou agora, então acho que vou seguir o meu caminho da coerência e de defender as pautas em que acredito”, disse João Vitor.

A primeira candidata trans ao Senado por Minas, Duda Salabert, anunciou a desfiliação súbita do Psol nesta semana. Ela também acusou o partido de “transfobia estrutural”. No primeiro páreo eleitoral em que entrou, Duda foi a oitava candidata mais bem votada no Estado, com 351.874 votos.

“Enquanto mulher transexual não posso endossar uma estrutura que se apropria da luta e da identidade trans para privilegiar figuras e candidaturas já privilegiadas”, disse Duda, em comunicado pelas redes sociais. Ela foi procurada pela reportagem, mas não atendeu às ligações.

Por meio de nota, a direção do Psol em Minas rebateu Duda, ao afirmar um “compromisso na luta por um mundo sem machismo, racismo, LGBT+fobia e a transfobia, e o enfrentamento dessas práticas seja no interior de nosso partido ou em toda a sociedade”.

 

 

A Lei dos Partidos Políticos, 
que trata de fidelidade partidária, estabelece que parlamentares 
só podem mudar de legenda 
fora da janela partidária nas seguintes hipóteses: incorporação ou fusão do partido, criação de novo partido, desvio no programa partidário ou grave discriminação pessoal