A taxa de desemprego no país deve manter a escalada de alta, pelo menos até o final do ano que vem. O reflexo da crise e da recessão fez com que o índice de desocupação atingisse 10,9% da População Economicamente Ativa no primeiro trimestre de 2016, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente de desempregados atingiu 11,08 milhões de brasileiros no período. Na Grande BH, só em fevereiro deste ano, o número de pessoas sem emprego chegou a 176 mil.

Neste Dia do Trabalhador, as perspectivas para os brasileiros não são nada animadoras. “Antes de pensar numa recuperação dos postos de trabalho perdidos, temos que saber quando a taxa de desemprego vai deixar de ser cada dia mais assustadora”, diz o professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBS), Mauro Rochlin.

Segundo ele, um a cada dez brasileiros estão sem condições de trabalho. “O cenário que temos hoje, com taxa de desemprego de 10,9%, era considerado um patamar muito difícil de ser alcançado há alguns anos. Agora, a projeção já é de até 14%. E não sabemos quando esse processo vai se reverter. Não dá para prever”, lamentou. Em 2014, a taxa de desemprego ficou em 6%.

“Numa estimativa muito otimista, não conseguiremos reverter esse quadro antes de 2018. É uma situação grave, pois também não há projeção de melhora no quadro político”, afirma o professor de Economia do Ibmec, Felipe Leroy, lembrando que o rendimento médio do trabalhador também encolheu neste ano.“O rendimento médio dos novos admitidos caiu muito. As empresas avaliam que, dada a conjuntura econômica, o contratado está disposto a receber bem menos”.

E o número de desempregados no país, calculado em cerca de 11 milhões, é ainda maior na realidade, conforme Leroy. Isso porque quem está no mercado informal aparece nas estatísticas do IBGE como população economicamente ativa. “A taxa é uma estimativa, com certeza temos mais desempregados do que o divulgado”, afirmou.

Desempregada há sete meses, Maria Aparecida Drumond, de 52 anos, era gerente de uma loja de roupas em Belo Horizonte. Com a recessão econômica, a empresa não teve outra alternativa a não ser demitir funcionários para sobreviver. Para ela, a solução foi procurar um bico de diarista e tentar quitar as contas a pagar, que se acumulavam a cada mês. Por enquanto, ainda não conseguiu uma assinatura na carteira de trabalho.Histórias como a de Maria Aparecida são cada vez mais comuns no país.

Apesar de não ser classificada como desempregada pelo IBGE, Maria Aparecida busca formas de conseguir uma renda fixa. “Estou tentando um trabalho com carteira assinada, porque as faxinas que faço caíram muito. Fiz uma entrevista. Estou rezando para conseguir”, contou ela.

A sorte que a diarista espera, um sopro de esperança em um país assolado por indicadores ruins, é a mesma que teve Maximiliano Xavier, de 38 anos, este ano. “Era estoquista, mas fiquei desempregado no ano passado. Em fevereiro consegui me recolocar, mas em outra área. Agora sou inspetor de qualidade. O salário é o mesmo e o trabalho é mais gratificante do que o anterior”, disse.


Trabalhadores e movimentos sociais fazem protestos contra e a favor do governo Dilma

Movimentos sindicais contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff prometem aproveitar este Dia do Trabalhador para protestar contra o impedimento da petista.

Em Belo Horizonte, a Frente Brasil Popular programou uma marcha que sairá às 10h da Praça Afonso Arinos, no Centro, até a Praça da Liberdade, no bairro Funcionários. Lá, os militantes montarão um acampamento permanente pela democracia.

A intenção é inviabilizar um eventual governo Michel Temer que pode se estabelecer nos próximos meses. “Vamos fazer um grande acampamento da resistência em Minas Gerais na capital. Chamamos a população mineira a se posicionar contra o golpe, diante da necessária construção de um novo projeto com menos ajustes fiscais e muito mais direitos aos trabalhadores”, afirmou Sílvio Neto, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

“Este será um 1º de maio dos mais importantes da história. As conquistas dos trabalhadores estão ameaçadas por 57 projetos de lei e pelas propostas do PMDB que significam retrocesso. O que está em risco são os nossos direitos”, criticou a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Beatriz Cerqueira.

PÃO E ÁGUA
Na Praça Sete, o ato será realizado pela oposição. Dirigentes sindicais ligados ao PSDB de Minas vão distribuir pão e água para quem passar pela região como forma de protesto contra o aumento do desemprego. A manifestação também acontecerá às 10h.

“A distribuição simbólica de pão e água é para mostrar nossa insatisfação com a política econômica. Vamos manifestar nossa indignação com o caos da economia provocado pelo PT, que gerou o maior índice de desemprego em nosso país dos últimos 24 anos”, explica o presidente do secretariado sindical do PSDB-MG, Rogério Fernandes, que é presidente também da Federação dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado (Feese-MG).

FESTA
A Força Sindical de Minas vai comemorar o 1º de maio com uma festa no Parque Sarandi, em Contagem, na Grande BH. O evento terá atrações musicais e sorteio de prêmios, a partir das 10h. Em São Paulo, a Força Sindical também promoverá shows e sorteio de carros. “O foco será a necessidade de mudar a política econômica para o Brasil sair desta crise e retomar o desenvolvimento”, disse o deputado e presidente da entidade, Paulinho da Força (SD-SP).

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