O número de brasileiros com obesidade aumentou 67,8% entre 2006 e 2018, segundo aponta uma pesquisa do Ministério da Saúde. Embora a gordura corporal não esteja necessariamente relacionada a problemas de saúde, especialistas apontam que, em alguns casos, a obesidade acaba sendo um dos fatores de risco para desencadear outras doenças.

Segundo o endocrinologista da Unimed-BH, Paulo Augusto Carvalho Miranda, a obesidade é a condição de saúde gerada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e pode ser considerada uma doença, uma vez que pode causar diversos problemas de saúde. "Além disso, algumas doenças são mais comuns em pessoas portadoras de obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, alguns tipos de câncer e também problemas cardiovasculares como derrame, além da redução de mobilidade", explica. 

Nesta sexta-feira (11), além de ser o Dia Mundial da Obesidade, é comemorado também o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. Uma boa estratégia para evitar problemas de saúde futuros é adotar hábitos saudáveis no dia a dia. Além disso, segundo o endocrinologista, uma pessoa obesa precisa planejar o tratamento. "É importante que seja um tratamento de abordagem ampla e multidisciplinar. Ou seja, não só visando a perda de peso, mas também prevenindo as doenças relacionadas à obesidade". 

Ele ainda faz um alerta: "um ponto importante a ser observado é o risco de pessoas portadoras de obesidade se submeterem a tratamentos não éticos e promessas milagrosas de perda de peso. O alerta é para que a pessoa faça o tratamento seguindo medicações e abordagens validadas pela Ciência e que realmente tragam benefícios para a saúde", conclui. 

Veja abaixo as três atitudes essenciais para evitar o problema:

- Para mudar significativamente os hábitos alimentares o ideal é incluir, pelo menos, cinco porções diárias de frutas e hortaliças no cardápio, segundo recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

- Aliado a isso, é necessário também evitar ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados como presunto, salsicha, linguiça, refrigerantes, mortadelas, sucos artificiais, macarrão instantâneo, entre outros.

- Praticar alguma atividade física por, pelo menos, 30 minutos por dia, ou 150 minutos por semana.  

Como calcular o IMC

O Índice de Massa Corporal (IMC), além de identificar se há excesso de peso, também pode sinalizar possíveis riscos para a saúde. Ele é estimado pela relação entre o peso e a altura do indivíduo, expresso em kg/m². Desta forma, para calcular o seu IMC, basta dividir o peso pela altura ao quadrado. 

Para a classificação do estado nutricional, são adotados os seguintes pontos de corte, segundo o valor do Índice de Massa Corporal de um adulto:

Menor que 18,5 - Baixo peso

18,5 a 25 – Eutrófico ou peso adequado

25 a 30 - Sobrepeso

30 a 35 - Obesidade Grau I

35 a 40 - Obesidade Grau II

Maior que 40 - Obesidade Grau III  

O IMC é uma referência, mas é preciso considerar que outros fatores podem indicar o excesso de peso corporal. "Como pregas cutâneas, relação cintura-quadril, ultra-som, ressonância magnética, entre outras", explicou o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em estudo sobre sobrepeso e obesidade. Entretanto, devido a simplicidade de obtenção, baixo custo e correlação com a gordura corporal, o IMC tem sido amplamente utilizado e aceito para estudos epidemiológicos.

* Com informações do Ministério da Saúde. 

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