O primeiro passo para uma relação saudável entre chefe e funcionário é o respeito. É comum que a pessoa que exerça algum cargo de chefia em uma empresa dê feedbacks, especialmente negativos, aos seus funcionários. Mas quando a situação é inversa, e o funcionário é que precisa dar um feedback ao seu gestor, as coisas podem fluir negativamente se os cuidados necessários não forem tomados. 

Nesta quarta-feira, 16 de outubro, é celebrado o Dia do Chefe, ou "Boss's Day", como é conhecido internacionalmente. A Catho, empresa multinacional de recrutamento on-line, sugere o uso de uma ferramenta on-line através da qual os funcionários podem enviar um feedback de forma lúdica e anônima aos seus chefes, o Feedback On-line Delivery.

Basta selecionar qual presente virtual você gostaria de enviar ao chefe. Depois, escolher o feedback que quer para personalizar o presente e, por fim, inserir o nome e e-mail do destinatário. São três opções de presentes virtuais para o feedback anônimo delivery:

  • Para acordar e sair desse pesadelo, a pessoa pode enviar uma caneca com duas opções de frases: "Chá de sumiço / para afastar seu mau humor" e "Chá de memória / para lembrar da promoção prometida".
  • Para aquele chefe nem um pouco suave, uma opção é o vinho seco virtual com duas diferentes frases: "GRATIDÃO / beba SEM moderação" e "Onde há parceria / o resultado vem em dobro".
  • Por fim, para uma chave capaz de abrir uma melhor experiência no trabalho, nada melhor que o chaveiro com as frases "#Partiu / abrir a mente para outras opiniões?" e "Chave do reconhecimento / liberte os elogios".

 

Chefe

 

Mas é possível ter este diálogo - que pode parecer "tabu", especialmente para o funcionário - cara a cara, e sem risco de perder o emprego ou sofrer represálias. É o que explica a gerente sênior da Catho, Bianca Machado. 

"Uma dica para que esta relação entre chefe e funcionário seja saudável é a ocorrência de reuniões de alinhamento de forma periódica, com avaliações constantes e feedbacks. Há uma prática interessante que é individual, na qual o colaborador e seu líder imediato podem, de forma semanal ou quinzenal, alinhar seus pontos. Acredito que para esta relação ser saudável, o feedback não deva ser um fato isolado e, sim, uma construção, como no caso destas reuniões periódicas", relata. 

Geralmente, o chefe é quem convoca estas reuniões, deixando assim, o espaço aberto para os colaboradores falarem. Mas também é possível que a iniciativa de falar sobre algo relacionado ao chefe ou à empresa parta do funcionário, desde que sejam tomados alguns cuidados. 

Professora nos cursos de gestão em Recursos Humanos (RH) e Administração da Faculdade Promove, a gestora em RH Letícia Corrêa, explica como isso pode ser feito: "Primeiro, o funcionário deve perceber se há espaço para o feedback e, dentro das possibilidades visíveis, deve buscar um bom momento junto ao seu líder para dizer de forma clara o que pensa e como gostaria de ajudar descrevendo alguns pontos ou situações. Mas ele deve fazer isso, claro, utilizando o vocabulário apropriado, sem ofender e sem levar para o lado pessoal". 

A gerente sênior da Catho, Bianca Machado, dá, ainda, sete dicas para que esta comunicação seja respeitosa e saudável. "O funcionário pode, sim, chamar este feedback de forma respeitosa, anotando todos os pontos sobre os quais queira falar", adianta. 

Veja abaixo:

 

1. Dê o feedback de forma privada

Positivo ou negativo, o feedback não deve ser dado em público ou em voz alta. Isso vale tanto para o funcionário como para o chefe. 

 

2. Observe o melhor momento para o seu gestor

Escolha um momento para conversar com o seu chefe que seja mais tranquilo para ele, por exemplo, uma manhã em que ele não tenha reuniões ou um dia em que a agenda esteja menos cheia. 

 

3. Nunca personifique o feedback

Qualquer feedback deve ser direcionado a uma atitude e, não, a uma pessoa. Não se deve rotular ou generalizar pessoas por suas ações. Por exemplo, ao invés de dizer "você é sem educação", o ideal é relatar: "aquela frase que você disse na frente de todos fez com que eu me sentisse mal". 

 

4. Anote os pontos que queira abordar

Ao se preparar para uma reunião de alinhamento ou, mesmo, para uma conversa individual com o chefe, é bom anotar os pontos que deseja abordar, para não parecer despreparado ou sem respaldo. 

 

5. Nunca faça o feedback induzido pela emoção

Falar de forma exaltada ou emocionada com o chefe sobre algo que não gostou, geralmente, não traz bons resultados. 

 

6. Seja cerimonioso

O feedback não deve ser dado em uma situação informal, durante um café, por exemplo. É importante que exista a cerimônia do feedback, por exemplo, uma reunião com o chefe de 30 minutos a uma hora, onde o colaborador pode, de forma respeitosa e harmoniosa, relatar como se sentiu. 

 

7. Não "deixe pra lá" por muito tempo

O melhor momento para dar um feedback é em dias ou horas próximos a quando a situação aconteceu. Se você for abordar a situação que gerou insatisfação com o chefe, não se deve deixar passar muito tempo da ocorrência para isso, porque corre-se o risco de perder detalhes sobre a situação, gerando incerteza ou insegurança na hora de falar. 

 

Como o chefe pode motivar os seus funcionários

A gestora sênior da Catho, Bianca Machado, ainda explica que esta relação de respeito entre chefe e funcionário também é de responsabilidade do chefe, já que as atitudes dele é que vão impactar no respeito que o funcionário vai ter, diferente de quando o chefe gera medo. 

"Para motivar alguém, mais do que premiações na empresa, o primeiro passo é conhecer bem os integrantes do seu time. Com isso, o chefe pode desenhar um propósito em comum, que é o segundo passo. E, em terceiro lugar, para motivar ou inspirar um colaborador, é preciso ter a característica da empatia, se colocar no lugar do outro. Seguindo estes três pontos é que todas as outras ações, como recompensas, parcerias e premiações poderão funcionar", recomenda. 

A gestora em RH Letícia Corrêa, reitera, ainda, que é responsabilidade do chefe gerar empatia e um ambiente organizacional saudável.  "O líder que é sempre acessível, observa, acompanha, percebe a demanda de sua equipe e permite que as pessoas se manifestem, se aproximem para criticar e sugerir novos formatos, cumpre o papel também de um facilitador nestes espaços. Desta forma, o funcionário se sente confortável, confiante para sugerir, criar e repassar suas ideias", diz. 

Segundo ela, desta forma, "seus funcionários passar a vê-lo como uma referência e o respeitam, buscando corresponder às responsabilidades delegadas" e a relação entre eles passa a ser "uma troca de conhecimentos, rica e imparcial", conclui.