A aprovação da reforma trabalhista pela Câmara dos Deputados trouxe mais gás ao movimento grevista em todo o país. Marcada para hoje, a paralisação geral promete engajar mais de 2 milhões de trabalhadores em Minas Gerais, segundo estimativas da Força Sindical. Escolas públicas estarão fechadas, assim como mais de 30 instituições particulares de ensino só na capital. Ônibus e metrô prometem parar. Serviços essenciais, como saúde, terão escala mínima de funcionamento.

Haverá também mobilização nas principais rodovias que cortam Belo Horizonte para fechamento total das pistas a partir da madrugada.
De acordo com a Força Sindical, serão realizadas ações pelo sindicato para tentar conquistar a adesão dos caminhoneiros à greve, além do fechamento das BRs 262, 381 e 040.

“A aprovação da reforma trabalhista durante a madrugada foi mais uma covardia contra o trabalhador. Amanhã (hoje) é o ponto de partida de diversas ações e movimentos que vamos realizar Brasil afora. É a construção de uma greve geral com início, sem data de fim”, afirmou o presidente da Força Sindical em Minas, Vandeir Messias Alves.

Às vésperas do feriado prolongado, as atividades podem ficar comprometidas no Aeroporto de Confins. O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SNA) confirmou adesão à greve geral. A entidade representa os trabalhadores que operam nos serviços de check-in, manutenção das aeronaves, raio-x e despacho de bagagens, num total de mais de 15 mil pessoas no país. A paralisação começará no período da manhã e seguirá por tempo indeterminado. Uma funcionária de uma companhia área, que não quis se identificar, disse que ficará praticamente inviável a decolagem dos voos pela falta desses operadores. Comissários e pilotos devem ficar de fora do movimento grevista.

 

O Sindicato dos Médicos de Minas (Sinmed) informou que a categoria também aderiu ao movimento em desagravo às reformas da Previdência e Trabalhista. Serão mantidos serviços de urgência e emergência

 

 

Metrô e ônibus também ameaçam não circular, mesmo com a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que concedeu liminares para que haja funcionamento de 80% dos trens e coletivos nos horários de pico, e 60% nos demais horários. O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Belo Horizonte e Região Metropolitana (STTRBH) informou que os funcionários já haviam decidido manter a paralisação completa da categoria, mesmo com determinação judicial. O TRT prevê multa de R$ 80 mil para o descumprimento da liminar, e o sindicato afirma que irá arcar com os custos, caso seja penalizado.


Já o Sindicato dos Metroviários (Sindimetro) está sujeito ao pagamento de multa de R$ 250 mil caso não cumpra a determinação do TRT.
“Vamos fazer todo o possível para que os metroviários possam aderir à paralisação”, disse Beatriz Cerqueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), ao ser questionada se a entidade ajudaria a bancar a multa do Sindimetro.

 

 

 
Centrais preparam mobilizações em 22 Estados e 60 cidades


Centrais sindicais divulgaram comunicado convocando todos os trabalhadores a não sair de casa hoje, em repúdio às reformas Trabalhista e da Previdência, em processo de aprovação no Congresso. Segundo a nota, há paralisações programadas em 22 estados, com manifestações planejadas em mais de 60 cidades do país, aproximadamente 53 em Minas. Em Belo Horizonte, o protesto vai acontecer na Praça da Estação, a partir das 9h.

Segundo a CUT-MG, a greve geral marcada Brasil afora manifesta a contrariedade dos trabalhadores em relação às reformas propostas pelo governo de Michel Temer. Os textos dos dois projetos, além da recém-aprovada Lei da Terceirização, propõem alteração de mais de cem pontos da septuagenária CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

As reformas e outras medidas de austeridade são o carro-chefe da gestão de Temer, que governa um país que enfrenta recessão e desemprego.
Confrontado com o escândalo de corrupção da Petrobras que atinge vários ministros e boa parte da base aliada, o governo aposta em um rápido avanço das impopulares reformas. Michel Temer já declarou que os grevistas não receberão o pagamento referente ao dia, contrariando o que acontece quando se trata de paralisações legais.

“A reforma trabalhista, como um todo, é péssima. Ela retroage na negociação coletiva, não fortalece o movimento sindical e coloca o empregador para negociar direto com a empresa, que pode garantir rescisão contratual sem direito a 40% de fundo de garantia e aviso prévio”, explica Sérgio Leite, secretário-geral da Força Sindical em São Paulo.

Ele disse que na capital paulista o transporte público vai parar e que a expectativa é a de que o serviço não funcione em muitas cidades do país.
O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), anunciou um acordo com o aplicativo Uber e com uma companhia de táxis on-line para garantir o transporte de funcionários públicos que se recusarem a aderir à greve.

“A mobilização é necessária para mostrar a força da classe trabalhadora, que não aceita a retirada de direitos”, afirmou Paulinho da Força, presidente da Força Sindical. O dirigente, que é deputado pelo Solidariedade, da base aliada de Temer, ameaça passar para a oposição caso as reformas sejam aprovadas sem modificações.

Com agências