Serviço mais barato e que também oferece maior praticidade. Assim cada vez mais se recorre aos bancos digitais, que atraem clientes fugindo de tarifas caras e da burocracia. “O setor bancário é onde vemos o uso de tecnologia acontecer de forma mais impressionante. Antes do advento dessas plataformas, as empresas de serviço financeiro estavam navegando em céu de brigadeiro”, analisa André Miceli, coordenador do MBA de Marketing e Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

É o caso de Dennyse Bacelete, de 53 anos. Após sugestão de uma amiga especializada na área digital, ela aderiu aos poucos aos serviços financeiros de maneira totalmente virtual. Há cinco anos começou a usar cartão de crédito do Nubank, e posteriormente abriu conta corrente no Banco Inter. Proprietária de uma venda de produtos da roça na região Oeste de Belo Horizonte, Dennyse é só elogios às facilidades da nova forma de administrar o próprio dinheiro e de pagar salários aos funcionários. “A plataforma é ótima, fácil para fazer transações e acompanhar minha contabilidade. Eu mesma faço vários controles, não tenho que me dirigir ao banco e nunca tive problema de segurança”, conta. 

“Se preciso depositar na minha conta, emito um boleto gratuitamente e consigo pagar em qualquer agência bancária ou casa lotérica. E os bancos tradicionais estão aderindo cada vez mais aos meios digitais, como minha amiga tinha antecipado”, completa Dennyse Bacelete, que comemora não ter que arcar com tarifas altas de R$ 85 para pessoa jurídica no banco, além de R$ 35 que lhe custava uma conta de pessoa física a cada dois meses.

E a adoção das facilidades digitais também se estendeu para o entretenimento, cancelando a TV a cabo que consumia mais de R$ 300 mensais e optando exclusivamente pelo serviço de streaming Netflix, que somado às tarifas de internet saem por pouco mais de R$ 100. “Não faz falta nenhuma e vimos o tanto que estávamos jogando dinheiro fora”.

Mesma percepção da assistente administrativa da UFMG Anne Caroline, de 37 anos. Após um período de testes de quatro meses sem os canais a cabo, ela decidiu cancelar de vez e hoje as despesas caíram de R$ 190 mensais para R$ 113. “No começo foi mais fácil, eu já estava assistindo pouca coisa. Ligava a TV mais para fazer um ‘barulho’ enquanto arrumava algo em casa. Hoje eu sinto falta de pouca coisa”, diz Anne Caroline, que revela também estar em processo de transição para a área digital nos bancos. “Mas acho que os banco digitais não são cadastrados para receber salário. Só isso que me mantém nos convencionais”.

“Trata-se de uma mudança do modelo de negócio. As empresas viraram plataformas, não são mais um empreendimento que ou vendia produtos ou prestava serviços”, analisa André Miceli. “Vai ser muito difícil que algum negócio permaneça imutável a esse processo”.