A presidente Dilma Rousseff discursará nesta segunda-feira, 30, na abertura da 21ª Conferência do Clima (COP-21), em Paris, da qual participarão 153 chefes de Estado e de governo de todo o mundo. Trata-se do maior evento já organizado pela Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), superando a COP-15, realizada em 2009 em Copenhague, na Dinamarca. Neste domingo, 29, a presidente se reuniu à tarde com os líderes de Noruega e Bolívia, e não prestou homenagem aos mortos dos atentados de 13 de novembro na França.

Dilma chegou a Paris na tarde de sábado, e desde então não falou com jornalistas.

Segundo o assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, seu discurso na COP-21 já estava pronto na chegada, mas seu conteúdo não foi divulgado. Ainda conforme o assessor, a presidente não pedirá em seu pronunciamento um acordo "legalmente vinculante", cujo cumprimento seja obrigatório. "O texto não entra nesse detalhe", explicou Garcia, afirmando que o tema é alvo de negociações entre delegados governamentais.

De acordo com a presidência, Dilma deve discursar entre 12h e 12h30, horário de Paris - entre 9h e 9h30 em Brasília. Mas a organização da convenção diz que a previsão é de que o pronunciamento aconteça às 14h45, ou 11h45 em Brasília.

No sábado, a presidente jantou na residência do embaixador do Brasil em Paris, Paulo de Oliveira Campos. Hoje, Dilma passou o dia no Hotel Bristol, onde a delegação brasileira está hospedada. Ela teve reuniões bilaterais no fim do dia com Erna Solberg, premiê da Noruega, e com Evo Morales, presidente da Bolívia. Um encontro com o presidente do Equador, Rafael Correa, foi adiado para esta segunda-feira.

Terrorismo

Dilma não participou de nenhuma homenagem aos mortos nos atentados terroristas de 13 de novembro, quando 130 pessoas foram assassinadas e 350, feridas, por terroristas ligados ao grupo jihadista Estado Islâmico.

Em contraste, diversos líderes estrangeiros optaram por demonstrar solidariedade às vítimas. Foram os casos, por exemplo, do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e da presidente do Chile, Michelle Bachelet, que depositaram flores em um memorial improvisado em frente à casa de shows Bataclan, onde 89 pessoas perderam a vida. No mesmo local, líderes como o premiê da Grã-Bretanha, David Cameron, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, já haviam se reunido ao longo da semana passada.

"Muitos líderes manifestaram o desejo de se recolher aqui, marcando sua solidariedade para com a França", afirmou o primeiro-ministro da França, Manuel Valls. "Essa solidariedade é importante, porque o luto continua presente e o continuará por muito tempo."