O crescimento vertiginoso da cotação de uma moeda que existe apenas na internet vem agitando o mercado acionário. A disparada, entretanto, veio acompanhada do temor de uma nova bolha financeira. A preocupação chegou ao Banco Central do Brasil, que emitiu ontem alerta sobre os riscos do dinheiro virtual.

Com valorização de quase 1.000% nos últimos 12 meses, como aponta a Coin Desk, consultora de moedas virtuais, a Bitcoin é a sensação do momento. O valor de mercado da moeda é de US$ 136,6 bilhões. Tudo guardado em menos de 10 mil computadores espalhados pelo mundo. No Brasil, o valor da unidade de Bitcoin já ultrapassou os R$56 mil.

Para se ter uma ideia da escalada dessa moeda virtual, no mesmo período, a poupança, investimento mais comum entre os brasileiros, rendeu só 6%.

Em alguns países, a criptomoeda já está se consolidando como uma forma de investimento vantajosa e com boa perspectiva. Prova disso é que a Bolsa de commodities de Chicago negocia contratos futuros em Bitcoins desde a última terça-feira. O sucesso foi tanto que as negociações tiveram que ser interrompidas por duas vezes, tamanha a valorização.

Já no Japão, país em que a Bitcoin está consolidada há mais tempo, o governo oficializou em maio de 2016 a moeda como forma legal de pagamento.

Pirâmide

Paralelo à euforia, o Banco Central brasileiro alertou sobre o crescimento das moedas virtuais. O órgão teme que haja um efeito “bolha” ou de “pirâmide”, uma vez que a característica desse tipo de negócio faz com que haja a possibilidade de uma queda brusca no valor do ativo.

“Como estão hoje, com essa subida vertiginosa sem lastro e sem regulação, essas moedas levam a um risco tal que o BC emitiu um alerta. Isso tem que ser levado em consideração por aqueles que compram e transacionam essas moedas”, afirmou ontem o presidente do BC, Ilan Goldfajn.

Cuidados

Quem também destaca que o comércio desse tipo de moeda apresenta riscos é o investidor, empresário e especialista em criptomoedas Sérgio Tanaka. Segundo ele, a moeda é atraente e lucrativa, mas o interessado deve se cercar de quem tem conhecimento e experiência nesse tipo de mercado.

“É importante sempre trabalhar com empresas sérias deste segmento. Buscar referências e indicações de quem já trabalha na área também ajuda bastante”, diz.

Para Tanaka, a valorização do produto se dá pela maior divulgação desse tipo de moeda virtual, o que, conforme ele, traz a confiança de que o comércio das Bitcoins vai prosperar ainda mais no mercado nacional e internacional.

“Com um maior número de pessoas conhecendo a moeda, aumentou bastante a procura por ela. Somente neste ano, o Bitcoin teve uma média de 30 mil novas carteiras sendo criadas diariamente. Tal aumento da procura, aliada à expectativa de abertura em novos mercados, fez com que ela valorizasse muito em 2017”, explica.


Investimento inclui riscos e depende da lei da oferta e procura

A crescente procura pelas moedas virtuais, principalmente a Bitcoin, faz com que as empresas do setor acionário comecem a se mobilizar. É o caso da Fittibank, startup que trabalha com emissão de cartões e carteirinhas de estudante, e a partir de janeiro vai criar uma plataforma para o comércio das criptomoedas, as chamadas exchanges, como explica o CO da empresa, Diego Bomfim.

“Hoje em dia no Brasil existem poucas plataformas pra quem precisa comprar e vender criptomoedas. Quando acontece isso, tem ativos que acabam não tendo muita liquidez de mercado”, diz.

Em relação aos riscos, Bomfim faz questão de frisar que, apesar das vantagens, as moedas virtuais apresentam a possibilidade de o investidor não obter o retorno esperado. “Não é um tipo de investimento para quem não quer correr risco. É um investimento como a Bolsa de Valores, que depende da oferta e da procura, e isso vai oscilar de acordo com as informações que se tem de mercado”, adverte.

Como investir

O primeiro passo para quem deseja investir em moedas virtuais é procurar uma exchange. Em seguida, o investidor abre uma conta, criando o que é chamado de carteira, onde vão constar todos os ativos em Bitcoin. Por fim, o cliente deposita um valor na conta, que será convertido em criptomoedas.

Uma dúvida frequente para aqueles que investem nas moedas virtuais é em relação ao declaração do imposto de renda. Segundo o Manual das Perguntas e Respostas sobre a Declaração do IRPF de 2017, lançado todos os anos pela Receita Federal, moedas virtuais devem ser declaradas na ficha “Bens e Direitos” como “outros bens”, uma vez que podem ser equiparadas a ativos financeiros. Elas devem ser declaradas no valor de quando foram adquiridas.

Retorno rápido

O rápido retorno do investimento é um dos maiores atrativos para quem deseja investir em criptomoedas. Entretanto, para o designer Vinícius Passos, os lucros com as Bitcoins vieram bem antes do que o esperado. O designer revela que teve um lucro de 110% dois meses após ter investido na moeda.

“Estudei e procurei saber do mercado por mais de um ano e meio antes de entrar no negócio. Então, tinha a confiança de ter um retorno grande, mas a longo prazo. Me surpreendi de ter ocorrido tão rápido”, diz.

SÉRGIO TANAKA  

Outras moedas

Apesar do destaque do Bitcoin, outras criptomoedas também vem se destacando no mercado. Um exemplo é a Litecoin, que usa um software semelhante ao da Bitcoin e teve crescimento de 1614% em 2017, segundo a InfoMoney.

A Litecoin é considerada pelos especialistas como a melhor alternativa ao Bitcoin, que frequentemente tem a rede congestionada pela alta procura, além de ser a segunda moeda virtual mais aceita como forma de pagamento convencional.