O diretório estadual do PSDB em São Paulo apresentou nesta terça-feira (20) o pedido de expulsão do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), após o diretório municipal do partido comunicar que também faria o mesmo. A movimentação acontece às vésperas da reunião da Executiva Nacional, que acontece nesta quarta-feira (21), em São Paulo, com a presença dos principais caciques tucanos. A tendência é que os pedidos sejam acolhidos hoje, dando início ao processo de análise da expulsão.

A articulação no ninho tucano faz parte da chamada “faxina ética” capitaneada pelo governador de São Paulo, João Dória, que defendeu o afastamento de Aécio publicamente diversas vezes. Ao lado dele, estão nomes como o presidente estadual do PSDB, Marcos Vinholi, e do prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), que chegou a ameaçar sua saída do partido, caso Aécio continue filiado.

Aécio Neves se tornou réu no ano passado, no processo em que foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, para supostamente pagar advogados que defenderiam o tucano das acusações da Operação Lava Jato. A entrega das remessas de dinheiro foi filmada pela Polícia Federal. Além disso, Aécio Neves responde a outros nove processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Devido aos resultados do mineiros nas urnas, entretanto, sendo o 18º deputado federal mais bem votado em Minas, alguns aliados do tucano avaliam que o processo de expulsão não poderia acontecer antes de uma eventual condenação na Justiça. “Eu acredito que o PSDB vai tomar a melhor escolha, respeitando o seu Código de Ética, que não prevê expulsão sem condenação”, avalia o deputado federal Paulo Abi-Ackel, presidente do PSDB em Minas.

Processo

A admissibilidade dos pedidos de expulsão contra Aécio Neves serão analisadas pela Executiva Nacional. O deputado federal Celso Sabino (PSDB-PA) será o relator responsável por emitir parecer sobre a validade dos pedidos. Após essa análise, Aécio terá dez dias para manifestar sua defesa e, na sequência, o relator tem mais dez dias para emitir um parecer. Caso seja instaurado processo no Comitê de Ética, haverá prazo de 45 dias para conclusão dos trabalhos.

Até o momento, Aécio Neves não se pronunciou sobre os pedidos de expulsão.