O comerciante Ademir José Costa está impressionado com a disparada do preço das carnes: "Algumas peças tiveram aumento em torno de 30% do mês passado para este". A reclamação dele pode ser conferida no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país. Em novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador aumentou 0,51%, o maior resultado para o mês desde 2015, quando ficou em 1,01%. Em Belo Horizonte, o IPCA avançou 0,46%. 
 
As altas do IPCA no Brasil e nas capitais se devem, sobretudo, ao aumento do preço da carne, impactado pela entressafra no campo e pela opção de muitos criadores em vender o alimento para a China, que paga em dólar e onde uma gripe suína devastou boa parte do rebanho local.

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Ademir reclama do aumento do preço da carne 

 
"Tanto cortes nobres, como a picanha, e menos nobres, como a língua, subiram muito. Mas muito mesmo...", lamentou Costa, ganha a vida num tradicional bar no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste de Belo Horizonte.
 
"A aceleração no grupo alimentação e bebidas (0,72%) deveu-se, principalmente, à alta das carnes (8,09%), que exerceu o maior impacto individual (0,22 p.p) no IPCA de novembro. Com isso, a alimentação no domicílio, que havia registrado deflação (-0,03%) em outubro, subiu 1,01% em novembro. No lado das quedas, destacam-se a batata-inglesa (-14,27%) e o tomate (-12,71%), ambos com contribuição de -0,03 p.p. no índice do mês. A cebola (-12,48%) também recuou, embora menos intensamente do que em outubro (-20,84%)", divulgou o IBGE.
 
A capital mineira tem peso 10,86% na composição do IPCA nacional, atrás de São Paulo (30,67) e Rio de Janeiro (12,06%). Esta nova parcial da inflação elevou o Índice no acumulado do ano para 3,12%. No período dos últimos 12 meses, o indicador atingiu 3,27%, acima dos 2,54% apurados nos 21 meses imediatamente anteriores.
 
Em BH, o IPCA local está em 3,13% tanto no acumulado dos últimos 12 meses quanto no do ano. O indicador é importante não só por ser a inflação oficial do Brasil, mas por refletir na aplicação de tributos. O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), por exemplo, é reajustado com base numa prévia da inflação, o IPCA-E, que será divulgado daqui a duas semanas.

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