Quando começaram as aulas, as primeiras lições foram mais complicadas para as irmãs gêmeas Eleonora e Madalena, de 5 anos. Na Escola Guilherme Rudge, no Belenzinho, zona leste da capital, não há quem fale russo, a língua das garotas. Elas, porém, logo ganharam fluência no português e hoje aprendem e conversam sem dificuldades com professores e colegas da turma, composta de bolivianos, argentinos e angolanos, além de brasileiros. A diversidade da sala reflete uma nova realidade: em três anos, o número de estrangeiros cresceu 447,9% na rede municipal.

As escolas ligadas à Prefeitura registraram 1.863 matrículas de alunos de outros países em 2012, os últimos dados disponíveis. Em 2010, eram 340. O retrato da rede é quase um encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), com representantes de 55 países.

A maioria vem da Bolívia, por causa da intensificação do fluxo migratório para São Paulo.

Colabora com o cenário uma portaria municipal, de 2006, que garante a matrícula de estrangeiros sem a necessidade de documentação. Atrás da Bolívia, aparecem Japão, Argentina e Paraguai. Há também crianças dos Estados Unidos, Grécia, Irlanda e Irã.

As únicas russas nas escolas municipais, porém, são Eleonora e Madalena. Nascidas em São Petersburgo, são filhas de pai brasileiro e mãe russa. A Advogada Svetlana Martynova, de 36 anos - que ainda não conseguiu a mesma desenvoltura no português como as filhas - diz que ficou impressionada com a adaptação. "Foi muito fácil, as professoras são muito boas e elas adoram ir para a escola."

A unidade tem 200 alunos, 11% de estrangeiros. A diretora Raquel Martins explica que já se acostumou com o mosaico cultural. "O primeiro passo é o acolhimento de todos, fazer com que eles façam parte. Depois é entendê-los e saber se eles nos entendem", diz. "A maioria é de bolivianos e da América do Sul, que é mais fácil. Os próprios alunos se habituam. Certa vez, um deles colocou um DVD em espanhol e traduziu para os outros."

A direção da Escola Lombardi Braga, na Vila Leonor, zona norte, providenciou atendimento psicológico às mães de imigrantes - 40% dos alunos são bolivianos. "Alguns professores foram estudar espanhol. Os bolivianos não são mais minoria, participam de projetos e são excelentes alunos", diz a diretora Cleonice Alonso.