Duas pessoas morreram, incluindo uma mulher que detonou explosivos junto ao corpo, e sete suspeitos foram detidos em um apartamento do subúrbio de Paris e outra permanece entrincheirada no local, durante uma operação da polícia que procura o belga Abdelhamid Abaaoud, apontado como o cérebro dos atentados de sexta-feira (13).

Dos sete detidos, três foram capturados pela polícia no local cercado, outros dois em apartamentos vizinhos e dois nas imediações.

Pelo menos três policiais ficaram feridos durante a operação antiterrorista em Saint-Denis, ao norte da capital, onde foram mobilizados militares, informaram fontes das forças de segurança.

Três homens foram detidos nas últimas horas.

Às 4h30 (1h30 de Brasília), os agentes iniciaram a batida no centro de Saint-Denis, como parte das investigações sobre os atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI). Mais de quatro horas depois, a operação seguia em curso.

O bairro está isolado e os moradores ouviram tiroteios durante quase uma hora.

"As forças de segurança estão muito tensas, estão em alerta, um helicóptero sobrevoa a cidade", disse o prefeito da localidade, Didier Paillard.

As autoridades pediram aos moradores que evitem sair de suas casas. As escolas permanecerão fechadas, assim como os acessos ao metrô. Os serviços de ônibus e bondes também foram suspensos.

De acordo com uma fonte policial, o alvo da operação é Abdelhamid Abaaoud, um jihadista belga de 28 anos e integrante ativo do EI. Também conhecido como Abu Omar Susi ou Abu Omar al-Baljiki, ele é procurado desde janeiro como suspeito de também ter planejado atentados na Bélgica.

Salah Abdeslam, de 26 anos, suspeito de ser um dos terroristas que abriu fogo na sexta-feira contra vários cafés e restaurantes parisienses ao lado de seu irmão Brahim, que se matou ao detonar explosivos junto ao corpo, também está sendo procurado, sobretudo na Bélgica, onde, segundo as autoridades, os ataques foram planejados.

Com base em imagens de um vídeo, os investigadores acreditam que o Seat, um dos carros usados nos ataques, tinha uma pessoa a mais do que pensava até o momento.

Este suspeito pode estar foragido, a menos que se trate de um dos sete supostos cúmplices dos ataques detidos no sábado em Bruxelas e indiciados pela justiça belga por "atentado terrorista".

Os dois homens detidos, Mohammed Amri, 27 anos, e Hamza Attou, 20, teriam ajudado Salah Abdeslam a fugir de Paris após os ataques.

Desta maneira, nove homens teriam participado nos atentados de sexta-feira: três homens-bomba na área do Stade de France em Saint-Denis, três na casa de espetáculos Bataclan e três que abriram fogo de forma indiscriminada contra bares e restaurantes de Paris.

Ao menos três deles, Omar Ismail Mostefai, Samy Amimour e Bilal Hadfi, estiveram na Síria.

A polícia também busca informações sobre um dos terroristas do Stade de France, que teve a a foto divulgada na terça-feira à noite. Este homem passou pela Grécia e um passaporte sírio foi encontrado junto a seu corpo. O documento corresponde ao de um soldado do regime de Bashar al-Assad morto há alguns meses.

A investigação também se concentra no jihadista francês Fabien Clain, 35 anos, atualmente na Síria, que leu o texto de reivindicação do EI em uma gravação divulgada na internet.