Desde a zero hora desta terça-feira (12), o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, é operado a quatro mãos. A Empresa Brasileira de Infraestrura Aeroportuária (Infraero), que até essa segunda-feira (11) gerenciava exclusivamente o aeroporto, iniciou a transferência assistida ao consórcio vencedor da concessão realizada pelo governo federal, a BH Airport, formada pelo grupo CCR (do Grupo Camargo Correa) e Zurick Airport. A expectativa é a de que a melhoria na qualidade dos serviços possam ser percebidas de imediato. Como primeira ação, no próximo dia 26 o wifi do aeroporto será turbinado, conforme afirma o presidente do consórcio, Paulo Rangel. 
 
De acordo com ele, a virada de chave será, na verdade, uma continuidade nas operações de uma parceria que começaram há pelo menos 15 dias. “Já estamos operando em parceria com a Infraero há algum tempo no aeroporto para entender o funcionamento. O aeroporto tem um futuro brilhante. É um conceito novo de aeroporto, com o objetivo de trazer o desenvolvimento para o Estado”, afirma. A concessão é válida por 30 anos. 
 
 
Obras
 
As obras previstas para o aeroporto para os próximos dez anos somam R$ 1,5 bilhões em investimentos. Entre elas, está a duplicação da capacidade de atendimento de passageiros que hoje é de 10,3 milhões anuais. Para atendê-los, o terminal três, apelidado de “puxadinho” ou “terminal remoto”, será aproveitado. 
 
A estrutura, que foi construída para atender aos passageiros durante a Copa do Mundo, corria o risco de ser demolida após o mundial para dar lugar a um novo empreendimento.
A instalação de 14 novas pontes de embarque também está prevista, somando 23. Aumento de esteiras para bagagens, nova área de embarque e desembarque internacionais, reconfiguração do sistema viário e a criação de outras 1.455 novas vagas de estacionamento, somando 4.015 espaços para automóveis, são algumas das melhorias previstas. O prazo para finalização da primeira etapa das obras é 30 de abril de 2016.
 
“Os mineiros terão um aeroporto completamento diferente do ponto de vista de qualidade e preço”, diz o Ministro da Aviação Civil, Moreira Franco. Segundo ele, entre as principais reclamações dos frequentadores do aeroporto estão a manutenção dos sanitários e o preço dos alimentos. Ao mudar a gestão de mãos, será possível mudar este quadro, afirmou o ministro. 
 
“Roupa, livro, a pessoa pode comprar em qualquer lugar. Mas comida não tem como. Se ela está com fome, tem que se alimentar no aeroporto”, disse.
 
Ao lado de onde a coletiva de imprensa foi realizada, aliás, o preço de um hamburguer com recheios diversos e um refrigerante chegava a R$ 30,40, enquanto uma batata recheada e um refrigerante custava R$ 29,40.
 
 
Fiscalização
 
De acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, a fiscalização da agência será intensa. “Nossos técnicos são minuciosos”, afirma. Ele explica que uma equipe fixa ficará por conta do aeroporto, mas não especificou o número de técnicos dessa equipe.
 
 
Funcionários
 
Os funcionários da Infraero que trabalham no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte poderão ser incorporados pela BH Airport, se for de interesse da empresa. Aqueles que não o forem, retornarão à Infraero e serão aproveitados em outros locais, conforme afirma o presidente da Infraero, Gustavo do Vale.
 
 
Aeroporto Indústria ganha novo fôlego com concessão
 
Ao passar para as mãos de um consórcio de empresas privadas, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, destrava um dos principais projetos do governos de Minas: o aeroporto indústria. Segundo o subsecretário de Assuntos Estratégicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Luiz Antônio Athayde, pelo menos três empresas já estão em negociação. Duas delas, segundo levantou o Hoje em Dia, são Clamper e Nanum.
 
De acordo com o diretor-presidente da Clamper, Ailton Ricaldoni, a empresa, especializada em dispositivos de proteção contra descargas elétricas, foi responsável pelo projeto piloto do aeroporto indústria e aguarda uma oportunidade de implantar uma unidade no empreendimento desde meados de 2007. 
 
“Já estamos fazendo contato com representantes do governo há algum tempo”, afirma. Agora, eles devem conversar com representantes do consórcio BH Airport para se instalar no complexo alfandegário. 
 
Sem revelar quais empresas têm interesse pelo aeroporto indústria, o subsecretário afirma que tem agido como um intermediador entre governo e representantes do grupo vencedor da concessão. 
 
As instalações físicas do aeroporto indústria já estão prontas para funcionamento. São oito terrenos de 2,5 mil metros quadrados cada. Segundo Athayde, o conceito é de se operar em uma área confinada, em que há isenção de todos os impostos, com produção voltada para exportação. 
 
Ainda de acordo com ele, no futuro, o aeroporto será capaz de atrair empresas suficientes para gerar 500 mil empregos, de 40 cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “O conceito de aerotró-polis é uma tendência mundial”, afirma.