SÃO PAULO - O empresário Abilio Diniz reagiu nesta quarta-feira (22) à decisão da direção do Grupo Pão de Açúcar de vender o clube de futebol Audax, que acaba de subir pela primeira vez para a Série A1 do Paulista e está na elite do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro desde a atual temporada.

Em nota, Diniz atacou o grupo francês Casino, controlador do Pão de Açúcar. "Com medidas como esta, o Casino descaracteriza os valores fundamentais do Grupo Pão de Açúcar como o incentivo aos esportes e à inclusão social. A medida, imposta pelo controlador ao GPA (Grupo Pão de Açúcar), coloca em risco o futuro de centenas de jovens, atendidos pelo projeto. Tenho esperanças de que esta decisão ainda possa ser revista", afirmou.

A "Folha de S.Paulo" revelou na edição desta quarta que o Grupo Pão de Açúcar decidiu se desfazer do clube. O Audax é dono de 50% do passe do volante Paulinho (Corinthians), revelado pelo clube e que pode ser negociado para a Europa nas próximas semanas.

A decisão do Pão de Açúcar de deixar o futebol é mais um capítulo da disputa interna do grupo francês Casino, que controla a rede de supermercados, com Abilio Diniz, ex-controlador.
Diniz foi quem idealizou a criação da equipe de futebol, há cerca de dez anos. Em 2012, porém, ele perdeu o controle do grupo em decorrência de negociações feitas em 2005. Desafetos do empresário brasileiro, os franceses não querem mais investir num time ligado à imagem de Diniz.

Procurada, a assessoria do Grupo Pão de Açúcar confirmou a intenção de vender o time. Argumentou que o Audax atingiu sua meta de chegar à elite de São Paulo e do Rio de Janeiro. "O ciclo de evolução do projeto está concluído", informou, em nota oficial. "A partir de agora, a atividade profissional dos times exige muito mais foco, recursos e especialização", informou. Segundo a nota, o grupo é especializado em varejo e distribuição e precisa buscar uma "solução" que dê "continuidade" ao Audax.

Ainda acionista, Diniz preside o Conselho de Administração do Pão de Açúcar, composto em sua maioria por aliados do Casino. Na semana passada, o conselho recebeu carta do presidente do Audax, Fernando Solleiro, lamentando a possibilidade de o clube ser negociado ou até desaparecer.

A negociação, se concretizada, representaria uma derrota interna para o brasileiro dentro do grupo.

"Lamento a decisão do Casino de colocar à venda o Audax, um projeto vitorioso com uma história única. Começou como projeto social e chegou às primeiras divisões do campeonato carioca e paulista sem perder este foco na formação de cidadãos", disse Diniz, por meio de sua assessoria.

Dentro do clube, a preocupação é que o Audax, apontado como bem-sucedido até agora apesar de não ter praticamente torcida, deixe de existir se não aparecer nenhum comprador, hipótese que poderá criar um impasse inusitado para as federações de São Paulo e do Rio.