Água, farinha e sal. Esses são os ingredientes básicos que Cristina Chiodi, 37 anos, utiliza em sua micro-padaria Madre Pães Artesanais, inaugurada há apenas quatro meses, em Belo Horizonte. Ela apostou em um segmento muito pouco explorado na capital mineira: pães com fermentação natural.

Nesse processo, o fermento vem da própria farinha, misturada com água e com as bactérias do ar. O resultado é o levain, um tipo de fermento natural, que desenvolve-se a partir da alimentação das bactérias, quando entram em contato com o ar, a farinha e a água.

Por ser artesanal e feito com longa fermentação (até 24 horas, em baixa temperatura), o pão não contém conservantes, melhoradores e outros produtos artificiais utilizados pela indústria alimentícia.

Apaixonada pela cozinha desde sempre e curiosa por novas receitas, Cristina é advogada especialista na área ambiental, mas decidiu mudar de vida radicalmente. A escolha foi tomada não apenas pela paixão pela gastronomia, mas também por ter se decepcionado com a dificuldade em efetivar as ações ambientais, apesar de amar o trabalho.

A transição foi aos poucos, e começou em 2014, quando fez cursos em São Paulo. Em 2015, voltou à capital paulista e, para se especializar em fermentação natural, foi à Califórnia, nos Estados Unidos, para estudar por um mês na San Francisco Baking Institute (Instituto de Panificação de São Francisco).

Em março deste ano, fez outra viagem, desta vez para a Itália, onde estudou com padeiros renomados, e conheceu padarias seculares. Decidida a ter o próprio negócio, consultou seus “conselheiros” (pais, marido, amigos próximos) e decidiu montar a panificadora. Assim, alugou uma casa no bairro Serra, investiu R$ 80 mil em equipamentos e na reforma. Agora, já planeja comprar um forno maior para aumentar a produção, mas sem perder o caráter artesanal.

Nesses quatro meses, a evolução das vendas foi impressionante. Quando começou a comercializar os pães, em 15 de agosto, a produção inicial foi de 15 quilos de farinha. Hoje, a média é de 45 quilos, mas em algumas fornadas chegou a ter encomendas de 60 quilos de farinha.

“Eu fiquei muito impressionada com a demanda pelos pães. Não imaginava que seria tão grande em tão pouco tempo”
Cristina Chiodi

 

Fotos publicadas no Instagram trazem clientela, que faz encomendas pelo Whatsapp

Como não tem um balcão para vender a produção, Cristina Chiodi apostou na internet como forma de divulgar o trabalho e atrair clientes. Por meio do aplicativo de fotos Instagram, ela publica no meio da semana o cardápio, os clientes fazem os pedidos até quinta-feira, através do Whatsapp, e retiram os pães no fim de tarde de sexta-feira.

E é também no Instagram que é possível ver a evolução do trabalho de Cristina, que gosta de fazer tudo sozinha. Quando começou a postar fotos, ela recebia 20 ou 30 curtidas. Agora, com a inauguração da micro-padaria, as publicações não têm menos que 100 curtidas.

CLAUDIA VALERIA

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Todas as semanas são oferecidas duas ou três opções de pães. Como ela busca mostrar uma diversidade de ingredientes, aposta em receitas próprias ou adaptadas. Por exemplo, já vende fornadas de pães com pequi, com castanha de baru, com queijo da Serra da Canastra e da Serra do Salitre. A última invenção foi um pão com cupuaçu e chocolate belga. Porém, ela sempre mantém, em cada fornada, um pão mais simples. “Fazer o básico também é importante”, destaca.
 

Clientes variados

A clientela da Madre Pães Artesanais é a mais diversificada  possível, de várias classes sociais. Há desde adolescentes até pessoas mais idosas, desde vizinhos até quem mora em bairros mais distantes. Mas um grupo tem chamado a atenção dela. “Tem umas japonesas que vêm aqui comprar o pão, e nem falam português direito!”, destaca.

Os preços variam entre R$ 25 e R$ 40 o quilo, e os pães são vendidos por estimativa de peso.