Prestes a receber voos para Porto Seguro e Cabo Frio, nos fins de semana, além de Ipatinga e Uberaba, operados em aeronave ATR 72-500 da nova companhia Flyways, com capacidade para 68 passageiros, o Aeroporto da Pampulha é mais uma vez motivo de polêmica.

Com movimento reduzido há dez anos, desde que a maioria dos voos foi transferida para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, paira sobre os moradores vizinhos ao terminal da Pampulha o receio da reativação de voos e aeronaves com maior capacidade com destino para outras capitais.

Se de um lado representantes das associações de bairros do entorno reclamam de poluição sonora, prejuízos ambientais, pouca segurança e trânsito caótico, do outro, Governo de Minas, Infraero, companhias aéreas e passageiros que buscam agilidade para chegar a outras capitais e ao interior do Estado defendem a ampliação das rotas.

E esta segunda-feira (19) foi mais um dia de embate entre interesses econômicos e sociais durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). O diretor de Relações Institucionais e Alianças da GOL, Alberto Fajerman, disse que a companhia tem todo o interesse de operar no terminal da Pampulha. Tanto que a empresa já protocolou na Agência nacional de Aviação Civil (Anac) pedidos de autorização para rotas para Congonhas, em São Paulo, Santos Dumont, no Rio, e Brasília.

Segundo ele, a intenção é utilizar modelos de Boeing 737 com 138 assentos. “Apesar de tecnicamente não existir mais a limitação de aviões para 70 passageiros na Pampulha, as questões não são totalmente claras. Queremos voar de lá para outras capitais porque somos demandados. E o aeroporto é totalmente seguro”, afirmou.

Gol quer operar na Pampulha

A partir do sinal verde da Anac, o executivo disse que a GOL planeja ainda voos para Montes Claros, Uberaba e Governador Valadares. No caso do terminal do Leste de Minas, é preciso ainda superar o impedimento em vigor com relação a jatos. “Belo Horizonte tem dois aeroportos, mas praticamente só usa um. Na nossa cabeça, não existe essa disputa entre Confins e Pampulha, tanto que nosso centro de manutenção está em Confins. È possível que ambos cresçam, cada um dentro de uma vocação”, disse.

Ainda de acordo com Fajerman, um voo com aeronave para 138 passageiros polui menos que duas para 70 passageiros. “Queremos chegar a uma solução aceitável e justa para a comunidade”, finalizou.

O representante da Anac na audiência, o coordenador substituto do Núcleo de Regulação da Aviação Civil, Charles Germano Chatti, disse que o tema é polêmico, e que uma decisão envolve diversos órgãos públicos. “A competência da Anac se restringe à compatibilidade entre a estrutura do aeroporto e as aeronaves utilizadas. Se ela está adequada, então a Anac não se oporia”, disse.

O superintendente de Logística da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Frederico Amaral, disse que é necessário estudar melhor os dois terminais. E que o governo busca fontes de recursos junto a agências de fomento para que o diagnóstico sobre o Aeroporto da Pampulha seja feito. “Como a situação do Estado não é fácil, estamos em conversa com um fundo americano”, informou.

Ao final da reunião, os ânimos se exaltaram e houve bate-boca entre o presidente da Câmara,  Wellington Magalhães, e o vice-presidente da Associação dos Moradores do Bairros São Luiz e São José (Pró-Civitas), Claude Mines. O vereador defende a volta dos voos, enquanto o representante é contra. “Sou totalmente a favor. Não dá para um aeroporto daquele porte ficar ocioso. Hoje, do jeito que está, às vezes é melhor ir de carro pro Rio de Janeiro”, disse Magalhães. Para Mines, o problema é que a sociedade é quase sempre excluída das discussões.

O que diz a Anac

Em nota, a Anac informou que atualmente não há impedimentos para a realização de voos regulares para as aeronaves AT72, AT45 e E145 no aeroporto da Pampulha. Mas para aviões de maior porte, sim.

Ainda de acordo com a Anac, em setembro de 2015, após solicitações de voos por parte de operadores aéreos para operar aeronaves de maior porte no aeroporto da Pampulha, a ANAC oficiou a Infraero sobre as condições de operação do aeroporto no que concerne às questões de ajustamento de conduta com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais. “Ainda requeremos o envio de declaração de capacidade do aeroporto com as medidas de processamento dos componentes aeroportuários que são necessários para as operações com aeronaves maiores”, disse o comunicado.

Segundo o órgão, a Infraero protocolou resposta na agência no final de setembro de 2015, sendo que, atualmente, o processo está sob análise.