O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, afirmou que a proposta do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) de transposição do rio Paraíba do Sul é tecnicamente viável. A afirmação foi feita durante a CPI da Sabesp, na manhã dessa quarta-feira (5).
 
Alckmin quer interligar as represas Jaguari, da bacia do rio Paraíba do Sul, e Atibainha, no sistema Cantareira. A proposta é polêmica porque o Paraíba do Sul é uma fonte de abastecimento do estado do Rio de Janeiro, que é contra o aumento da retirada de água por São Paulo.
 
“Acreditamos que é perfeitamente possível conciliar esses interesses”, disse Andreu. Ele afirmou, no entanto, que as negociações sobre o assunto têm avançado. “A gestão atual do rio Paraíba do Sul é fruto de acordos estabelecidos que precisam ser respeitados até que possam ser mudados e aceitos pelos Estados. Esse é um processo delicado de convencimento”, disse. 
 
Ele afirma que a transferência de água deveria assegurar a “segurança hídrica” para a Grande São Paulo e a região do Vale do Paraíba. Andreu adotou um tom mais conciliador do que antes das eleições e chegou a se desculpar pela frase publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”, em que disse que seria mais fácil o “Palmeiras chegar em primeiro no campeonato” que o plano para utilização da segunda cota do volume morto desse certo.
 
Ele afirmou também concordar com a visão de promotores estaduais e federais que querem que o sistema Cantareira chegue com pelo menos 10% de sua capacidade em abril do ano que vem. Para isso, seria necessário recuperar todo o volume morto e depois mais 10 pontos percentuais.
 
Imposto
 
O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou nessa quarta-feira (5) que deverá acatar a decisão da ANA sobre uma possível transposição de água da bacia do rio Paraíba do Sul para as represas de Jaguari, no sistema Cantareira. “Se os técnicos chegaram a essa conclusão, eu só tenho a acatar. Claro que não vou deixar nunca o Estado do Rio de Janeiro ser prejudicado”, afirmou Pezão ao sair de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.
 
Segundo o governador, o tema não foi discutido no encontro. Questionado se continuaria brigando com São Paulo pela decisão de transpor as águas ou não, Pezão disse não estar brigando com ninguém. No dia 20 será realizada uma reunião de conciliação no Supremo Tribunal Federal, convocada pelo ministro Luiz Fux, para tentar resolver a questão.
 
Com agências Folha e Estado