A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) propôs que os consumidores que ampliarem o tempo de uso de seus próprios geradores de energia recebam valores até 3,65 vezes maiores que o preço máximo praticado no mercado de curto prazo de eletricidade. A proposta passará por consulta pública por dez dias, entre 18 e 27 de março.

Enquanto o teto da energia no mercado à vista (chamado PLD) é de R$ 388,48 por megawatt-hora (MWh), a Aneel propõe que os consumidores donos de geradores próprios - como shoppings, hotéis, entre outros - recebam até R$ 1.420,34 por MWh quando gerarem eletricidade por meios de equipamentos a diesel fora do horário de ponta, entre 18h e 21h.

Para geradores a gás, a proposta de preço a ser pago pelas distribuidoras de eletricidade a esses consumidores é de R$ 792,49 por MWh, o dobro do teto do PLD. Para outras fontes, como eólica ou biomassa, o valor será o teto do PLD. "Os preços devem tornar as chamadas públicas atrativas para que os consumidores ampliem o uso dos geradores", afirmou o diretor da Aneel relator do processo, José Jurhosa.

Pela proposta da Aneel, os consumidores que ampliarem os uso de seus geradores poderão escolher a forma como a distribuidora de energia deverá realizar o pagamento, seja por depósito em conta, cheque nominal ou desconto na próxima conta de luz. Já os custos das distribuidoras com esses pagamentos serão reembolsados pelo fundo de Encargos de Serviços de Sistema (ESS).

Na semana passada, o governo lançou as diretrizes do plano para atrair consumidores que possuem geradores próprios a produzir energia para o sistema. Segundo a Aneel, há um potencial de 3,2 mil megawatts que poderia entrar na rede já no mês de abril. A adesão dos interessados se dará por meio de editais de chamadas públicas.