Para diversos setores produtivos brasileiros, os primeiros meses de 2016 deverão ser iguais ou ainda piores que 2015. Em meio a um quadro de retração, as expectativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para número de empregados, quantidade exportada e demanda para o próximo semestre são negativas.

“Este ano, para o setor industrial, foi uma lástima. Estão acabando com a indústria brasileira. Um país com a dimensão, a importância e a diversificação do Brasil não consegue sobreviver apenas da agricultura ou de serviços”, analisa o presidente da CNI, Robson Andrade.

A entidade patronal espera uma retração de 2,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2016. A estimativa da CNI é de um recuo de 15,5% no investimento neste ano e de uma retração de 12,3% nesse indicador em 2016. A taxa de desemprego, por sua vez, deve passar para 8,3% em 2015 e 11% em 2016.

Ano perdido

Em Minas Gerais, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) definiu 2015 e os impactos da crise econômica para o setor como “um ano para esquecer”. A previsão é a de que a indústria mineira termine o ano com uma queda no faturamento de 15,3%, a maior desde 1985, conforme balanço anual divulgado neste mês.

“Já tivemos uma queda em 1990, no governo Collor, e outra em 2008, mas nada comparado a esta”, diz o presidente do Conselho de Política Econômica da Fiemg e vice-presidente da entidade, Lincoln Fernandes. De janeiro a outubro, a queda foi de 14%.

Não há expectativa de reversão deste cenário a curto prazo, analisa o gerente de estudos econômicos da Fiemg, Guilherme Leão. No entanto, ele acredita que a retração será menor em 2016, apesar da projeção de queda do PIB. “Não será um ano fácil, mas esperamos que seja melhor. Os indicadores devem melhorar a partir do segundo semestre”.

CONSTRUÇÃO

Queda nas vendas de imóveis, obras paradas e demissões. Esse foi o cenário de 2015 para a indústria da construção civil.

Nos últimos 12 meses encerrados em outubro deste ano, o setor perdeu em todo o país mais de 442 mil vagas com carteira de trabalho assinada. Minas Gerais foi o segundo Estado a perder mais postos de trabalho com carteira na construção civil: a queda foi de 67 mil empregos no mesmo período.

Somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a redução foi de 35 mil vagas. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego e foram analisados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG).

As estimativas indicam que o setor vai encerrar o ano com 500 mil empregados a menos. “Não existe, no curto prazo, sinalização da reversão do desajuste do cenário econômico. Enquanto a crise política se fortalece, a economia enfraquece e os setores produtivos padecem com dificuldades”, diz estudo do Sinduscon.

TRANSPORTE

Sondagem da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que a maioria dos transportadores entrevistados está pessimista com relação a uma eventual melhora para o setor a curto prazo. Cerca de 86% não confiam na gestão econômica do governo federal; 49% acreditam que o país só voltará a crescer em 2017; e 19,6% esperam crescimento somente em 2018.

Comércio varejista prevê deterioração de indicadores

Outro setor fortemente impactado pela crise econômica deste ano enxerga um 2016 com grandes dificuldades. O comércio depende do comportamento de diversos indicadores macroeconômicos para acreditar em um cenário melhor para o ano que vem.

“É o primeiro setor a sentir os impactos conjunturais. Tudo influencia o poder de compra do consumidor: taxa de juros, de inflação, impostos. Aumento de custos e queda de receita é uma combinação bastante complicada para o comércio varejista”, explica o economista da Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida.

Para ele, também haverá deterioração de indicadores em 2016. “Em menor intensidade do que observada neste ano, mas teremos recessão no ano que vem”.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Bruno Falci, afirma que as expectativas para 2016 dependem do desenrolar da política. “O Brasil vive hoje uma crise de caráter. O ano foi marcado pela corrupção e pela crise política. Ninguém quer investir num país que não gera credibilidade. O impacto negativo gerado para a área empresarial é enorme. Torcemos para que esse cenário político tenha um desfecho o mais rápido e o melhor possível”, disse.

Falci afirma que o governo federal precisa fazer um equilíbrio fiscal, mas não com base em aumento de impostos, como ocorreu no Estado. “Somos contra esse tipo de medida. Equilíbrio fiscal precisa ser baseado em dois pilares: corte de despesas e aumento da produtividade. Governos que aumentaram impostos viram que não foi suficiente, terão que partir agora para uma negociação de corte e melhoria de desempenho”, finalizou o presidente da CDL-BH.

(*Com agências)