Sem perspectiva de volta às atividades, vendo negócios de anos naufragarem em meio à indefinição sobre o retorno completo das atividades, empresários e representantes do setor de eventos e entretenimento miram todas as esperanças na ajuda governamental e na vacinação em massa para tentar salvar o que restou.

Responsáveis por 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos, o setor já viu mais de 100 mil empregos diretos e indiretos gerados por sua complexa cadeia produtiva serem extintos apenas em Minas, desde o início da pandemia. 

Uma das possibilidades de ajuda governamental, no caso mineiro, pode vir através de projeto de Lei em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado (ALMG). O chamado Recomeça Minas, de autoria do presidente da casa deputado Agostinho Patrus (PV), busca incentivar e facilitar a regularização de dívidas tributárias e promover meios de financiamento para diversos setores econômicos. 

A proposta, em resumo, é reforçar o caixa estadual com cerca de R$ 7 bilhões, por meio dos tributos renegociados com abatimentos e parcelamentos, e destinar parte desses recursos a programas de auxílio a quem mais tem sofrido com a crise, como é o caso do segmento dos eventos. 

De acordo com a Associação Mineira de Eventos e Entretenimento (AMEE), contudo, não basta ter recursos liberados para empréstimo, por exemplo. A entidade estima que 40% das empresas da área, em Minas, fecharam as portas desde março do ano passado e as que restam estão sendo mantidas com recursos provenientes de patrimônios particulares dos sócios.

“Não adianta pegar empréstimo sem previsão de receita. Isso não vai resolver os problemas do setor. Quem sobreviveu não está em situação de insolvência porque está se desfazendo de bens pessoais para manter tudo em funcionamento”, lamenta o presidente da AMME, Rodrigo Marques.

Vacinação

A falta de perspectiva para a retomada dos eventos, mesmo a médio prazo, é o que mais preocupa os empresários do setor. Diante desse panorama, o presidente do Belo Horizonte Convention, Visitors e Bureaux, Jair Aguiar, não viu alternativas a não ser deixar fechado o hotel de propriedade da família – o Actual, em Contagem – voltado apenas para eventos. 

O espaço que tem 150 apartamentos e um centro de convenções com capacidade para 2 mil pessoas empregava 110 funcionários e já deixou de faturar mais de R$ 15 milhões neste período. Sem perspectivas, Aguiar diz que não há mais como esperar algo de 2021. “Enquanto não houver vacinação, não há como manter um espaço desse em funcionamento, sem demanda de visitantes e com apenas 15% de ocupação”, explica.

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