Laudo técnico encomendado pelo Ministério Público de Minas Gerais apontou a contaminação de vários cursos d’água próximos às atividades de mineração da ArcelorMittal, em Itatiaiuçu, na região de Serra Azul, onde a empresa pleiteia a renovação das licenças ambientais. O levantamento revelou um nível fora dos padrões para manganês, ferro e outras substâncias nos córregos. A empresa também não cumpriu cinco condicionantes estabelecidas no licenciamento ambiental.

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O laudo encomendado pelo MP corroborou o que já havia sido constatado em parecer técnico do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). No entanto, os profissionais do órgão sugeriram a renovação das licenças ambientais por mais seis anos mesmo após tomar conhecimento das irregularidades. A renovação será julgada pelo colegiado do Copam no próximo dia 26.


Óleo e graxa

A contaminação das águas foi apurada nos córregos Alto da Boa Vista, Lajinha, Miúda e em três tributários do Córrego Mota. Em um dos pontos de captação verificou-se que, desde 2008 a concentração de óleo e graxa passou de 0,1 miligrama por litro para entre 1,1 e 4,1 miligramas por litro. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), em nota, disse que o problema é pontual.

“No caso dos monitoramentos que apresentaram medições fora dos limites estabelecidos pela legislação vigente, as irregularidades foram pontuais e a empresa apresentou planos para adequação aos padrões”. Pelo não cumprimento de cinco condicionantes e pela contaminação dos cursos d’água a Semad aplicou uma multa de R$ 70 mil.

A ArcelorMittal Serra Azul sustenta que a água é naturalmente contaminada pelas substâncias. “Sobre a suposta contaminação por ferro e manganês, a empresa informa que faz regularmente o monitoramento dos corpos hídricos no entorno do empreendimento e esclarece que a região – por ser naturalmente rica em minério de ferro, às vezes com manganês associado –, possui concentração elevada destas substâncias na água, o que pode provocar eventuais variações nos teores que extrapolam os limites legais. Estes teores, no entanto, não são decorrentes da atividade mineral da mina”, disse a empresa, em nota.