Um azeite feito por 60 produtores de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro busca lugar no paladar e na mesa do brasileiro, onde ainda reinam absolutos os importados. A partir do registro da marca coletiva “Azeite dos Contrafortes da Mantiqueira”, nome da região que reúne os três estados, os produtores esperam ampliar exponencialmente a produção, passando de 12 mil litros, em 2014, para 200 mil litros até 2016.
 
Estratégica para obter o registro de Indicação Geográfica, uma espécie de certificado de que o produto tem origem reconhecida, a marca coletiva do azeite de oliva será a primeira no Brasil e na América Latina. 
 
“Vamos garantir e ampliar o acesso a mercados internos e externos. O selo coletivo aumenta o poder de negociação, induz crescimento da demanda com ações conjuntas de marketing, favorece a criação de linhas com sabores e ainda melhora em até 40% o preço do produto final”, destaca o coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Marcelo Alves. 
 
Pedido de registro
Na reunião marcada para o próximo dia 5, o órgão estadual e integrantes da Associação de Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive) irão fundamentar o pedido de registro, que então será documentado em cartório e, posteriormente, entregue ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) para análise. 
 
A expectativa é a de que o deferimento do INPI aconteça em, no máximo, seis meses. “Somos 50 produtores em Minas, nove de São Paulo e um do Rio. Hoje, são 1 mil hectares e 400 mil plantas. Crescemos cerca de 25% no ano passado, e há muito mais para fazer”, afirma o presidente da Assoolive, Nilton Caetano.
 
Um dos desafios citados por ele é o investimento inicial elevado para o plantio e manutenção das oliveiras. O custo na fazenda é de R$ 12 mil, por hectare, no primeiro ano, e de R$ 25 mil até o quarto ciclo. 
 
“Hoje, ninguém vive só da extração de azeite. Muitos exercem outras atividades ou são empresários”, diz o presidente da Assoolive.
 
Demanda crescente e produção ainda insuficiente para atendê-la, no entanto, desenham um cenário próspero. 
 
“Se tudo der certo, em três anos vamos produzir o equivalente a 2% do azeite que é consumido no país”, espera. Atualmente, seis produtores da região já trabalham com marca própria. O preço de venda da garrafa é R$ 100. “Com aumento da produção, esperamos chegar ao valor de R$ 50, até para enfrentar a concorrência com os importados”, diz. 
 
Consumo de azeite ainda é pequeno no Brasil
• O brasileiro ainda consome pouco azeite. Segundo dados da Epamig, são apenas 300 ml per capita por ano. Levando-se em conta a população de 190 milhões de habitantes, o consumo total no país chegou a 50 milhões de litros em 2012. 
 
• Na Espanha e na Itália, por exemplo, o consumo anual de é 12 litros por pessoa. Já na Grécia, dona da maior produção e consumo de azeites do mundo, são 25 litros por habitante.
 
• Na região da Mantiqueira, que engloba o Sul de Minas e um pedaço do Rio e de São Paulo, as condições climáticas favorecem a produção. 
 
• Com altitude superior a 900 metros, é possível alcançar de 200 a 300 horas de temperaturas abaixo de 12 graus.
 
• Além disso, as chuvas são bem distribuídas ao longo do ano e os solos têm, no máximo, 30% de argila, o que favorece o cultivo.