O Banco Central anunciou a quinta alta consecutiva da taxa básica de juros (Selic), que passou de 12,75% para 13,25% ao ano. Também deixou aberta a possibilidade de elevar os juros novamente na próxima reunião, em junho.
 
O ciclo de desaquecimento econômico que o país enfrenta já é o mais severo em mais de duas décadas, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório “Perspectiva Econômica Regional: Hemisfério Ocidental”, divulgado ontem em Santiago, no Chile. 
 
A alta de junho da Selic poderá ser a última do ciclo de aperto monetário iniciado em abril de 2013 e que foi interrompido temporariamente durante o período eleitoral.
 
O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Ewaldo Almada de Abreu, não ficou surpreso com a elevação da taxa básica de juros, mas rechaçou a medida. Na avaliação do executivo, a medida vai na contramão das necessidades do país. “Os economistas costumam justificar que a alta na Selic tem como objetivo arrefecer o consumo e o investimento na economia com o intuito de evitar o crescimento demasiado da inflação. Todavia, os indicadores não sustentam mais este argumento”, afirma.
 
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Bruno Falci, concorda. “Com medo de demissões e com crédito caro, o consumidor se torna mais cuidadoso e tende a comprar menos. A disseminação desses efeitos negativos implica em menor crescimento e recessão. Soma-se a isso, a alta do dólar e o aumento das contas de telefone, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus”, diz. 
 
Esse já é o maior período de aumento da taxa desde que a Selic passou a ser usada como instrumento de política monetária em 1999. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ontem foi unânime. No comunicado sobre o aumento, o BC repetiu o discurso das duas últimas reuniões, de que tomou a decisão “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação”.
 
A maior parte do mercado financeiro já esperava que o BC mantivesse o ritmo de alta de juros em 0,5 ponto percentual. Para a próxima reunião, a projeção da maioria dos analistas é de um aumento de 0,25 ponto percentual.
 
O aumento da taxa básica é um dos fatores que tem contribuído para a alta dos juros bancários, que estão no maior patamar em quatro anos e devem continuar subindo. 
 
FMI
 
Além de acusar o desaquecimento da economia brasileira, a equipe do economista-chefe do FMI, Alejandro Werner, sugere que o ajuste fiscal e monetário seja mantido e concluído, para que o país recupere credibilidade e sejam destravadas as engrenagens do Produto Interno Bruto (PIB), especialmente os investimentos.
 
Em linha com os analistas de mercado semanalmente pesquisados pelo Banco Central (BC), o FMI projeta uma recessão para o Brasil em 2015, com contração de 1% do PIB. Em 2013, a economia havia crescido 2,7%. No ano passado, o quadro foi de estagnação, com expansão de apenas 0,1%. 
 
(* Com Agências e reportagem de Tatiana Moraes - Hoje em Dia)