Alemanha e Grécia criticaram nesta quinta-feira (10) o fechamento unilateral da rota dos Bálcãs, afirmando que esta decisão não vai solucionar a crise migratória vivida pela União Europeia (UE).

A rota dos Bálcãs, um corredor pelo qual passam há meses dezenas de milhares de migrantes que querem chegar aos países do norte da Europa, ficou fechada na quarta-feira depois que a Eslovênia decidiu não deixar mais refugiados passarem por seu território.

A chanceler alemã, Angela Merkel comentou que fechar essa rota "não resolve o problema", em declarações a uma rádio alemã. "O problema não é resolvido tomando uma decisão unilateral", disse Merkel à rádio pública MDR. "Precisamos de uma decisão boa para os 28" países membros da União Europeia.

"Pessoalmente, penso que a decisão unilateral da Áustria, e depois dos países dos Bálcãs, faz com que cheguem menos refugiados, mas coloca a Grécia em uma situação muito difícil", estimou a chanceler. Além da Eslovênia, Croácia, Sérvia e Macedônia também não permitiram a entrada de migrantes a partir da Grécia desde segunda-feira.

Na noite de quarta, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras já havia criticado o fechamento da rota dos Bálcãs, enquanto milhares de migrantes procedentes da Turquia se encontravam bloqueados em território grego. "A UE não tem nenhum futuro se isso continuar assim", alfinetou Tsipras, que também lamentou a decisão unilateral.

Os países da União Europeia não quiseram decretar oficialmente na segunda-feira, em Bruxelas, o fechamento dessa rota, onde foi criado um corredor humanitário por onde passam os migrantes que tentam chegar ao norte da Europa.
    
"Trabalho sujo"

As declarações de Merkel e Tsipras contradizem as feitas pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que na véspera saudou a "decisão comum dos 28".

No entanto, o vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel afirmou no domingo que, efetivamente, os países que fecharam a rota estavam fazendo "o trabalho sujo" no lugar da Alemanha para limitar a entrada de migrantes. Por outro lado, o projeto de acordo UE-Turquia continuou motivando críticas.

O Alto Comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos afirmou nesta quinta-feira que as expulsões coletivas previstas no projeto para frear o fluxo de migrantes na Europa são ilegais.

"O projeto causa uma série de graves preocupações, como a possibilidade de expulsões coletivas e arbitrárias, o que é ilegal", declarou Zeid Ra'ad Al Hussein ante o Conselho de Direitos Humanos em Genebra. "As restrições nas fronteiras sem levar em conta o trajeto de cada indivíduo violam o direito internacional e europeu", acrescentou.

Segundo o acordo de princípio adotado na segunda-feira, a Turquia se comprometeu a readmitir todos os migrantes, incluindo os sírios, que entrarem clandestinamente na Grécia a partir de seu litoral, sob a condição de que a UE conceda asilo a um sírio para cada pessoa dessa nacionalidade que receber de volta em seu território.

Os dirigentes europeus adotaram como prazo para finalizar o projeto até a nova cúpula prevista para a próxima semana. Mas o projeto está sendo criticado por ONGs e por alguns países membros da UE.

O plano gera dúvidas, tanto legais quanto morais. Neste sentido, o chanceler luxemburguês Jean Asselborn se pronunciou. "Devemos comprovar a legalidade (do plano), diplomática, política, mas também em seu aspecto humano", declarou.