Diante da dificuldade em conseguir um parceiro privado para investir na ampliação do BHTec, a administração do parque tecnológico trabalha agora com a possibilidade de tirar dinheiro do próprio bolso para estimular a expansão.

A proposta, de acordo com o diretor-presidente do BHTec, Ronaldo Tadeu Pena, é formar um consórcio entre um empreendedor do setor da construção civil, que entraria com 51% do capital, e os mantenedores da empreitada (UFMG, governos estadual e municipal, Fiemg e Sebrae), com 49% dos recursos.

A proposta ainda está sendo finalizada, e Pena trabalha na articulação entre os parceiros, que podem aportar os recursos diretamente ou por meio de empresas controladas ou subsidiárias.

O prédio projetado terá 20 andares, com 60 mil metros quadrados de área construída, sendo a metade locável.

Com isso, o BHTec poderá receber mais 120 empresas, que se somariam às 16 que atualmente ocupam 2,6 mil metros quadrados do único prédio que existe no terreno.

“Na região há 92 empresas de tecnologia demandando 39 mil metros quadrados de área. Mas, ainda assim, o setor imobiliário não topou”, lembrou.

Com a medida, Pena acredita que os investidores ficarão menos temerosos, pois “reduz a exposição dele (do investidor)”.
Redução de impostos

Outra estratégia que o ex-reitor da UFMG está trabalhando é tentar reduzir os impostos que incidem sobre a construção do edifício, como o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).

“A gente tem uma boa chance de conseguir isso aí. Baixa 12% no custo do prédio, que está orçado em R$ 160 milhões. Já conversamos isso com o pessoal técnico. Não é impossível. Mas não houve um encaminhamento. Mesmo porque, temos que efetivamente resolver o outro lado, que é ter um parceiro”, enfatizou.

Pena destacou que o que importa para o Parque Tecnológico, urgentemente, é aumentar a área para receber mais empresas de inovação.

“O que nós queremos é o prédio. Se baixar o custo da construção, teremos mais chances”, destacou.

Mas uma das maiores dificuldades que ele enfrenta para cativar o empresariado é a insegurança que eles têm em relação ao retorno financeiro. “Eles querem ganhar o máximo. Me pedem para garantir 80% de aluguel. Não tenho elementos para fazer isso”.

Inaugurado há dois anos, a primeira tentativa de aumento da área construída do BHTec ocorreu em dezembro do ano passado, mas a licitação da Parceria Público-Privada foi frustrada.
“Nós tínhamos uma pretensão inicial de que o parceiro privado faria tudo, como é nos Estados Unidos. Só que esse negócio é novo no Brasil. O pessoal do setor imobiliário tem medo”, explica.

Em 2013, as 16 empresas instaladas no BHTec pagaram R$ 10 milhões em impostos, faturaram R$ 75 milhões e aplicaram R$ 7,5 milhões em inovação. Além disso, ganharam 15 prêmios, fizeram dois pedidos de patentes e tiveram uma patente reconhecida.

Assembléia debate inovação em Minas

O diretor-presidente do BHTec, Tadeu Pena, foi um dos palestrantes do ciclo de debates “Financiamento de parques científico-tecnológicos”, realizado nessa terça-feira (12), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Também participaram do evento representantes do governo de Minas, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, de universidades federais do Estado, da iniciativa privada, do Sebrae e de agências de financiamento e fomentadoras de pesquisa e inovação, entre outros.

O consenso é que o investimento em inovação é urgente para que o Brasil acompanhe a economia mundial, mas há dificuldades para desburocratizar o setor e aumentar competitividade das empresas.

Minas já vislumbra ter até 13 parques

Nos próximos anos, Minas Gerais poderá ter até 13 Parques Tecnológicos distribuídos pelo Estado. Três já funcionam, outros três estão em implantação e os estudos de viabilidade de sete novos devem ficar prontos até dezembro deste ano.

Atualmente, já estão operando o BHTec, na capital, e os parques tecnológicos de Itajubá, no Sul de Minas, e de Viçosa, na Zona da Mata. Em fase de projeto encontram-se Uberaba (Triângulo), Juiz de Fora (Zona da Mata) e Lavras (Sul).

Já as cidades que podem receber as iniciativas de inovação são Teófilo Otoni (Vale do Mucuri), Brumadinho/Inhotim (RMBH), Conselheiro Lafaiete (Central), Uberlândia (Triângulo), Montes Claros (Norte), Diamantina (Vale Jequitinhonha) e São João del Rey (Campo das Vertentes). Todos os projetos serão construídos em parcerias com universidades e o poder público.

De acordo com o secretario-adjunto de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Vicente José Gamarano, os parques tecnológicos irão estimular o surgimento de empresas de qualquer setor, mas podem também funcionar para transformar os produtos primários em manufaturados ou semimanufaturados.

Em Diamantina, por exemplo, podem ser estimuladas a se instalarem empresas de inovação em tecnologias de biodisel. Já na região do Quadrilátero Ferrífero, onde há muitas empresas de extração mineral e siderurgia, as novas tecnologias desenvolvidas podem ser para esses setores. “A visão é sair da base de commodities, mas é importante, também, agregar ainda mais valor aos nossos produtos”, destaca.

De acordo com Gamarano, os aportes que serão investidos em cada parque tecnológico ainda não estão definidos.