O UBS divulgou nesta quarta-feira, 30, comentário no qual avalia que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que mostrou retração de 0,8% ante o segundo, sugere maior dificuldade do País de sair da recessão. Por outro lado, a boa notícia, destaca o banco, é que o Brasil tem amplo espaço para estimular a economia via afrouxamento monetário. Em geral, a atividade econômica surpreendeu negativamente o banco, que no início do trimestre projetava queda de 0,2% no PIB de julho a setembro. Fora isso, os indicadores do quarto trimestre seguem sem indicar qualquer melhora, comentou a casa.

"Ainda que períodos de inflexão de ciclos econômicos sejam geralmente seguidos por alta volatilidade dos indicadores, os números de hoje indicam maior dificuldade da economia brasileira em superar a recessão", comentou o UBS. Entre os componentes do PIB, a instituição destacou o declínio de 3,1% dos investimentos em capital produtivo, que, após dez trimestres consecutivos no vermelho, tinham crescido 0,5% nos três meses anteriores. Já o consumo das famílias, com queda de 0,6%, mais uma vez não deu sinal de reação, em linha com a expectativa de que esse componente, pressionado pelo avanço do desemprego até o segundo ou o terceiro trimestre de 2017, será o último segmento a deixar a crise.

O PIB só não foi pior porque as importações, devido à fraca demanda doméstica, caíram 3,1% em relação ao segundo trimestre, o que permitiu uma contribuição positiva da balança comercial no resultado, assinala o UBS em relatório assinado pelos economistas Thiago Carlos, Guilherme Loureiro e Rafael De La Fuente. De acordo com a instituição financeira, a fraca atividade indica um largo espaço para flexibilização na política monetária, a seguir hoje com um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic. O UBS prevê um conteúdo "dovish" - ou seja, com indicações de novos cortes - no comunicado a ser divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), após a reunião de seus membros.

Na visão do UBS, a inflação deve perder força nos próximos meses, abrindo espaço para um longo ciclo de redução nos juros. A expectativa é de que o comunicado do Copom coloque na mesa a possibilidade de um corte mais agressivo, de meio ponto porcentual, na reunião da autoridade monetária em janeiro. O banco prevê recuperação modesta, com crescimento de 1,3% da economia brasileira em 2017, seguido por uma expansão de 2,6% no ano seguinte. Mas vê agora mais riscos a esse cenário.