Famosos pelo bem à saúde e ao meio ambiente, mas também pelo estigma de prejudiciais ao bolso, já que são até 60% mais caros do que os alimentos convencionais, os orgânicos têm conquistado mais espaço à mesa do brasileiro e nas gôndolas. Ainda estão longe da performance na Europa ou nos Estados Unidos, mas, aos poucos, aumentam a presença nos supermercados por aqui.

De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os orgânicos respondiam por 0,5% do faturamento do setor em 2011, percentual que subiu para 0,75% no ano passado. E a expectativa para 2013 é a de que a fatia aumente para 1,5%.

Levantamento recente da Associação Mineira de Supermercados (Amis) também detectou o crescimento no consumo e no caixa. No geral, 15% dos clientes já levaram pelo menos um item fruto da produção orgânica para o carrinho de compras. Considerando-se só o público A e B, com maior poder aquisitivo, o índice sobe para 25%.
Percebendo o aumento do apetite por esses alimentos, o Extra foi um dos hipermercados que intensificaram o sortimento e aumentaram o espaço para exposição nas lojas.

“A empresa percebeu que a demanda por orgânicos cresce muito rápido e que no Brasil faltava estímulo. As pessoas buscam se alimentar de forma mais saudável e querem cada vez mais saber a origem dos produtos”, afirma a gerente comercial de orgânicos do Grupo Pão de Açúcar, Sandra Sabóia.
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O atual cenário econômico também deve ajudar a incrementar a receita no varejo, na indústria e no campo. Os dados são incipientes, já que a regulamentação do setor é nova, de 2011, mas estimativas do Projeto Organics Brazil, resultado de uma ação conjunta da iniciativa privada com o Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), apontam que o faturamento do segmento, em 2012, fechou em R$ 1,5 bilhão, sendo praticamente 1/3 deste valor referente às exportações brasileiras no período.

Para 2014, a expectativa é atingir R$ 2 bilhões. “É uma tendência que já havíamos identificado na medida em que o processo regulatório se consolida. Nos mercados dos Estados Unidos, Ásia e Europa houve esse processo e, com a globalização, chegou ao Brasil”, diz o coordenador executivo de projetos do IPD, Ming Liu. Segundo ele, “A tendência é de crescimento do mercado e sepultamento do rótulo de produto elitista”.

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