Junte a pandemia, que, além de ter causado milhões de mortes e incontáveis malefícios de ordem sanitária, reduziu a renda de bilhões de pessoas e mudou drasticamente seus hábitos, à adoção crescente do consumo consciente, baseado na luta por um mundo mais sustentável. Ao que parece, tal ambiente foi mais do que propício à proliferação, inclusive em Minas Gerais, das lojas físicas ou virtuais dedicadas à garimpagem e à comercialização de roupas, calçados e acessórios usados: os brechós. 

Segundo o Sebrae Minas, só no Estado, a quantidade de empreendedores inscritos como MEI no segmento de compra e venda de objetos de “segunda mão” passou de cerca de 1.900, antes da pandemia, para mais de 2.300 (+20%), em julho – sendo que BH concentra maior volume (490). Além disso, há em torno de 350 micro e pequenas empresas (MPE) mineiras atuando na área.

No mundo, o “boom” no setor, também chamado de “recommerce” – ou “comércio reverso” – é igualmente visível e deve prosseguir nos próximos anos. Um estudo da consultoria Globaldata, por exemplo, calcula que o mercado dos brechós, que até a pandemia movimentava cerca de R$ 180 bi ao ano no planeta, dobre até 2024 (R$ 360 bi).

“Esse crescimento se explica, por um lado, pela crise gerada pela Covid, que afetou o poder de compra das pessoas, levando-as a buscar preços mais em conta para itens de vestuário, e também levou muita gente a comprar e vender esses produtos on-line ou fisicamente, formalizando o que, antes podia ser um hobby”, diz Rachel Canaan, analista do Sebrae Minas. “E há a tendência crescente pelo consumo consciente, não apenas das gerações mais novas”, completa. 

O chamado ‘recommerce’ ou ‘comércio reverso’ deve movimentar R$ 360 bi no mundo até 2024, o dobro de antes da chegada da Covid

Sustentabilidade, aliás, é uma das grandes motivações da empresária Geórgia Ramos, de 47 anos. No segmento há seis, ela decidiu, na pandemia, investir ainda mais no “DeCabide Brechó” e lançou o site da loja, que funciona em espaços colaborativos, mas deve ter sede própria, em breve. “Quando comecei, era comum as pessoas torcerem nariz para a roupa usada, mas isso acabou. Talvez porque estudos mostrem que o mundo tem mais roupas que o necessário para muitas gerações, ou que a indústria da moda só seja menos poluente do que a do petróleo”, diz.

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