Após a presidente Dilma Rousseff afirmar na manhã desta sexta-feira (15) que a capitalização da Petrobras pelo governo é uma possibilidade, o diretor Financeiro da estatal, Ivan Monteiro, descartou recorrer ao Tesouro. Segundo ele, a opção é a "última alternativa" e as medidas adotadas pela companhia, como desinvestimento e cortes de investimento, reduziram a necessidade de recursos do governo.

"Isso seria a última alternativa a ser perseguida pela companhia e não está no nosso radar", frisou o diretor em entrevista com a imprensa nesta tarde, no Rio. "Não temos nenhuma iniciativa para discutir esse assunto. Se tivéssemos, teria de publicar fato relevante", ressaltou.

O executivo ponderou sobre a necessidade de uma capitalização, instrumento usado para tocar um grande programa de investimento ou quando a estrutura não é suficiente para fazer face ao serviço da dívida.

"O que fazemos desde o início dessa gestão é afastar a hipótese de recorrer ou ser assistida pelo Tesouro. Se não tivéssemos tomados as decisões, já teríamos batido na porta do Tesouro há muito tempo. Se não tivesse reduzido o capex de US$ 45 bilhões para US$ 25 bilhões por ano, já teria recorrido por que não teria caixa", ressaltou.

Como alternativas, Monteiro ressaltou que a estatal não vai recorrer aos mercados internacionais de capitais. "As alternativas que a companhia tem são duas fontes grande de captação: as bilaterais, com linha de crédito com bancos nacionais e internacionais ou acessar mercados. Mercados internacionais de capitais a Petrobras não acessará", frisou.

Segundo o executivo, a companhia foi procurada por bancos em ofertas espontâneas de crédito, mas que a diretoria não considerou as propostas viáveis.

"Há um conjunto de linhas com os bancos que, de uma maneira geral, achamos que não é boa alternativa. Recebemos oferta espontânea, mas achamos muito caro. Buscamos ofertas mais baratas, como leasing de plataformas e securitização, e outras alternativas que estamos estudando."