O custo da cesta básica em Belo Horizonte, em outubro, ultrapassou pela primeira vez o patamar dos R$ 500, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (5) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da UFMG (Ipead/UFMG). O valor agregado de 13 produtos básicos consumidos mensalmente por um trabalhador adulto, conforme o Decreto-Lei 399/38, apresentou variação positiva de 6,12% em relação a setembro, quando chegou a R$ 490,74. Com isso, atingiu R$ 520,79, equivalente a praticamente metade (49,84%) do salário mínimo.

Ainda segundo o Ipead/UFMG, o custo da cesta apresentou a terceira alta consecutiva este ano, com variação acumulada de 23,64% nos últimos 12 meses - aproximadamente cinco vezes maior do que a inflação do período. Os principais responsáveis pela elevação foram a chã de dentro (4,91%), o tomate Santa Cruz (21,90%) e a banana caturra (13,57%). 

Já o custo de vida na capital, medido pelo IPCA e pelo IPCR, avançou 0,69% em relação a setembro. O resultado, segundo o economista Renato Mogiz Silva, superintendente da Fundação, foi obtido a partir da pesquisa de preços dos produtos/serviços que são agrupados em 11 itens agregados, sendo os maiores destaques, em termos de variação, as altas de 6,08% para alimentos in natura, de 3,59% para alimentos de elaboração primária, de 2,50% para vestuário e complementos e de 2,34% para alimentos industrializados. No sentido oposto, não houve grupos com queda de variação.

Confiança do consumidor

O Índice de Confiança do Consumidor, ICC-BH permaneceu estável em outubro, de acordo com o Ipead/UFMG, com alta de 0,04% na comparação com o mês anterior, atingindo 36,45 pontos. Esse foi o maior nível observado após implementação de medidas de combate à pandemia do Covid-19 (abril = 30,76, maio = 33,44, junho = 33,15, julho = 35,20, agosto = 36,26, setembro = 36,44). No entanto, vale destacar que o índice ainda permanece abaixo dos 50 pontos, nível que separa o pessimismo do otimismo.

Embora a Selic (juros básicos da economia) tenha sido mantida em 2% ao ano na última reunião realizada pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), entre os dias 27 e 28 de outubro de 2020, permanecendo no menor nível da série histórica deste indicador, as taxas médias de juros praticadas para pessoa física apresentaram alta na maioria dos setores em BH, ao serem comparadas às taxas de setembro. Sobre as taxas para pessoa jurídica, todas apresentaram queda. Entre as taxas de captação, a maioria apresentou alta ou estagnação em relação ao mês anterior.