A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) comemorou, nesta terça-feira (19), a chegada de 577.680 doses da vacina contra a Covid-19 a Minas Gerais e o início da imunização no Estado. Embora tenha classificado a notícia como "um alívio" e "chave para a recuperação econômica", a entidade voltou a cobrar do Poder Público, em todas as esferas, ações para fazer com que o comércio e os serviços, segmentos que figuram entre os mais atingidos pelos reflexos da pandemia, possam se reerguer.

"A vacinação em massa da população conseguirá garantir um retorno seguro ao trabalho e ajudar na retomada do crescimento. Mas a imunização é um processo demorado e os setores de comércio e serviços, em especial, necessitam do apoio do poder público em todos os níveis, municipal, estadual e federal”, disse o presiodente da entidade, Marcelo Souza e Silva.

Ainda conforme o dirigente, de portas fechadas pela terceira vez desde o início da pandemia, o comércio de BH, que estaria enfrentado "a maior quarentena do mundo", ainda aguarda, em especial da Prefeitura da capital, um plano emergencial de recuperação do segmento. “Nosso objetivo é preservar a vida humana e econômica da cidade, que tem no comércio o equivalente a 72% de seu PIB. Precisamos que o setor público ofereça soluções para que a atividade econômica não seja ainda mais prejudicada”, disse o presidente da CDL/BH.

Outro fator decisivo para a retomada da economia é a reabertura do comércio. E para que as lojas possam voltar a funcionar de portas abertas, as entidades que representam o segmento solicitaram à Prefeitura de Belo Horizonte mais ações em conjunto, poder público e sociedade civil organizada, de conscientização de prevenção à Covid-19. “Todas as entidades estão dispostas a colaborar com iniciativas para conter o avanço da doença”, explicou Souza e Silva. 
 
O presidente da CDL/BH destaca também a importância da continuidade do auxílio emergencial, que beneficiou 67,8 milhões de pessoas segundo a Caixa Econômica Federal. “Com o fim do auxilio, a renda da população vai cair e consequentemente teremos queda no consumo e aumento da inadimplência”, afirmou. “O fim de outros programas que ajudaram a injetar dinheiro na economia brasileira em 2020, como a compensação por contratos suspensos ou jornadas reduzidas, contribuirá para uma nova desaceleração dos setores de comércio e serviços”, completa.

Balanço negativo

Também nesta terça-feira, a Federação do Comércio de Minas (Fecomércio-MG) divulgou uma espécie de raio-X dos impactos da pandemia no Estado. A pesquisa, feita de 9 a 23 de  dezembro com 391 empresas do comércio varejista, atacadista e de serviços de Minas, revelou que oito em cada dez negócios tiveram prejuízos por causa da crise causada pelo Covid-19. 

Entre as principais perdas está a queda na receita (56,8%), a diminuição no quadro de funcionários (14,8%) e o acúmulo de estoque (11,1%). “Como as medidas de distanciamento diminuíram a circulação de pessoas nas ruas, o volume de vendas nas lojas físicas caiu de forma perceptível”, ressalta o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida.

Ainda de acordo com a pesquisa, para driblar a crise, os empresários estão diminuindo pedidos de estoque (33,6%) e negociando contratos de aluguel e prestação de serviços (28,2%). Essa atitude é necessária diante da recuperação insuficiente do mercado. Segundo os empresários do setor terciário do estado, o fluxo de clientes não retornou ao nível pré-pandemia em 45% das lojas, tendo ficado abaixo das expectativas para 61,9% dos entrevistados.

Embora 60,9% dos empresários não tenham demitido funcionários em função da crise, 57,5% adotaram alguma medida do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm). Entre os destaques estão a suspensão do contrato de trabalho (22,8%) e a redução proporcional de carga horária e salário dos empregados (18,6%). Além disso, em função das dificuldades provocadas pela pandemia, 76,7% das empresas não contrataram funcionários nesse período.

“Mais de 60% dos estabelecimentos vive um problema de liquidez, que tende a se agravar neste início de ano. Historicamente, o primeiro semestre é um período de vendas mais fracas. Esse fator, somado ao fim dos benefícios emergenciais e à obrigatoriedade de manutenção de funcionários suspensos por igual período ao do afastamento, diminui o capital disponível para investimento”, analisa Almeida.