Há pouco mais de um ano, a jornalista Naiana Andrade investiu R$ 100 mil para abrir o Espaço Mulher Esmaltaria e Estética. O sonho era ter uma segunda fonte de renda. No meio do caminho, entretanto, deparou-se com uma pedra: o fantasma da inflação, a escalada do desemprego e o recuo no consumo das famílias.

“A crise reduziu a clientela e trouxe o aumento dos gastos. Ficou mais difícil manter o espaço, já que o aluguel também é caro. Foi aí que resolvemos arregaçar as mangas e ajudar uns aos outros”, afirma.

Segundo ela, o “exercício” de indicar um cliente para o vizinho fez o movimento crescer entre 10% e 15%. “Tem gente que vai tomar um açaí na lanchonete e resolve cuidar do visual aqui conosco”, diz.

O salão especializado em unhas de gel (R$ 120) e porcelana (R$ 140) conta com mais de 800 variedades de esmaltes entre nacionais e importados. De quinta a domingo, cada manicure realiza cerca de 11 atendimentos por dia.

“A relação entre os lojistas é de amizade e respeito. Tem aquela coisa de mineiro, de bater papo e tomar um cafezinho na loja ao lado”, conta Naiana.
Recém chegada à vizinhança, a empresária Sara Gonçalves Ballesteros, sócia da Henriqueta Acessórios, Lingeries e Presentes, não vê a hora de poder fazer parte da turma.

“Queremos muito nos juntar e começar a fazer parte da promoção. Estamos inseridos em uma comunidade e pretendemos ajudar a movimentar a economia local”, diz. A participação acontecerá tão logo forem impressos os novos cupons.

Para a analista do Sebrae, Fátima Tropia, a união deve ser a palavra-chave, especialmente no momento de crise. “Criar ações conjuntas estimula a qualidade no atendimento e as vendas”, diz.

Segundo a CDL-BH, as vendas do comércio na capital já caíram 2,41% no acumulado deste ano (janeiro a agosto), ante igual período de 2014.

Na Barão e Silva Lobo, inovação para fisgar os consumidores

Lojistas das avenidas Silva Lobo e Barão Homem de Melo são a prova de que a união dá certo. Para driblar a crise, incrementar a receita e ganhar voz nos órgãos públicos, os empresários das duas vias se juntaram e, em julho deste ano, criaram uma associação, que hoje conta com 71 integrantes.

“Já não dá mais para esperar o cliente aparecer. Temos que chamar, inovar, atrair o consumidor. Junto, a gente é mais forte”, diz a presidente da associação local dos comerciantes, Letícia Barbosa Novais, proprietária da Let’s Sports.

Segundo ela, desde que somaram forças, os empresários conseguiram mais atenção da Polícia Militar e SLU. Assim como a limpeza e a segurança ganharam reforço, a gestão também foi aprimorada. Os lojistas passaram por cursos no Sebrae e conseguiram aprimorar a qualidade do atendimento e das próprias finanças. “É difícil mensurar, mas há estabelecimentos que registraram até 40% nas vendas”, comemora.

Em toadas as datas comemorativas, os lojistas promovem ações conjuntas. Fazem parte da associação desde loja de roupa íntima até restaurante e pet shop.