Com o desemprego, trabalho por conta própria vira alternativa

Janaína Oliveira - Hoje em Dia
10/07/2015 às 06:26.
Atualizado em 17/11/2021 às 00:50
 (Luiz Costa)

(Luiz Costa)

Com a economia ruim das pernas e a taxa de desemprego ultrapassando a casa dos 8%, entra em cena o jeitinho brasileiro. Despedidos pela antiga empresa e com poucas perspectivas de uma nova vaga, trabalhadores do país estão buscando no trabalho por conta própria um meio de ganhar dinheiro e sobreviver à turbulência.


Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que o contingente de empregados no setor privado, com ou sem carteira, encolheu em mais de 1 milhão de pessoas no trimestre entre março e maio deste ano, na comparação com os mesmos três meses de 2014.


Em contrapartida, no mesmo período, o número de brasileiros que trabalha por conta própria ou integra o grupo de empregadores aumentou em mais de 1,3 milhão de pessoas.


“Esse movimento de aumento do trabalho por conta própria e do empregador começou no momento em que o mercado passou a apresentar cortes nos postos com carteira assinada”, afirma o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.


Em números absolutos, o grupo ainda é enxuto. Mas o crescimento do pequeno exército mostra a busca de alternativas do brasileiro em meio à crise econômica. Entre os trabalhadores autônomos, o aumento foi de 4,4%, alcançando 22 milhões de pessoas. Já o conjunto daqueles que são considerados empregadores - ou seja, os que têm negócios que empregam pelo menos um funcionário - aumentou em 8,1%, chegando a quase 4 milhões.


Para a analista do Sebrae-MG Ariane Vilhena, sem emprego e diante de um mercado escasso de vagas, muitos trabalhadores estão tentando caminhar sozinhos. E o Microempreendedor Individual (MEI) aparece como via mais curta e fácil para a nova empreitada.


“Não há um estudo que comprove as causas do aumento da adesão ao MEI. Mas certamente um deles é a necessidade de empreender e ter uma renda em um momento difícil no mercado. O trabalhador perdeu o emprego, não consegue a recolocação, mas precisa de dinheiro. Então vê aí uma chance de recomeçar”, diz. E se o negócio não vingar, o prejuízo é menor. O microempreendedor não paga para fechar ou abrir uma empresa. O custo mensal é em torno de R$ 50.


Segundo a analista do Sebrae, a crise financeira traz dificuldades, mas pode oferecer oportunidades também. Foi o que aconteceu com a cabeleireira Anna Ottoni. Junto com sete parceiros, entre eles um especialista em barba retrô, todos adeptos do MEI, ela abriu o coiffeur que leva seu nome na principal rua do tradicional bairro de Santa Tereza.


“Sempre sonhei em ter um ponto comercial. Tive a sorte de encontrar o imóvel e conseguir negociar o preço do aluguel. Não há espaço para medo da crise pra quem trabalha bem”, diz. O investimento inicial foi de R$ 30 mil.


OCDE aponta cenário obscuro para o brasileiro


O pior corte, de acordo com o IBGE, foi no número de empregados sem carteira de trabalho. No trimestre entre março e maio deste ano, na comparação com os mesmos três meses de 2014, o grupo foi reduzido de 10,4 milhões de pessoas para 10,1 milhões de pessoas, queda anual de 3%. Já a quantidade de trabalhadores formais foi reduzida em 1,9%, na mesma comparação, passando de 36,7 milhões para 36 milhões de pessoas.


“Isso mostra que não foi só o emprego com carteira de trabalho que diminuiu, mas, de certa forma, o emprego de uma forma geral”, diz o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.


A taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em maio de 2015 foi estimada em 8,1% para o Brasil, ficando acima da taxa do mesmo trimestre do ano anterior (7,0%) e superando, também, a do trimestre encerrado em fevereiro de 2015 (7,4%).


E o cenário futuro não é dos melhores para o trabalhador brasileiro. Relatório “Perspectiva de emprego da OCDE 2015”, elaborado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que o nível geral de insegurança no mercado de trabalho no Brasil é de cerca de 10%. A taxa engloba o risco de desemprego e má remuneração. Somadas, chegam a esse percentual.


A situação se repete em vários lugares do mundo. A OCDE alerta para o fato de que milhões pessoas estão em risco de vida por causa de trabalhos inseguros e de baixa remuneração. No relatório anual sobre o emprego, a instituição com sede em Paris disse que, em maio de 2015, cerca de 42 milhões de pessoas estavam sem trabalho, 10 milhões a mais do que antes da crise.


A alta de 18,4% da população desocupada do país é a maior da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012
“O desemprego continuará elevado até o final de 2016” Stefano Scarpetta - diretor de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE


 

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