O belo-horizontino tem relegado a compra de imóveis novos, geralmente mais caros, para privilegiar a moradia com alguns anos de uso. De janeiro a julho de 2014, foram vendidos 11.454 apartamentos na capital, uma queda de 3% na comparação com as 11.765 transações realizadas no mesmo período de 2013. 
 
Os dados integram pesquisa realizada pela Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG) e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas da UFMG (Ipead) com base nas emissões do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) nos primeiros sete meses neste ano.
 
“Levando-se em consideração que o ITBI não distingue o imóvel novo do usado, os dados não mostram uma queda tão significativa no número de transações no geral. Porém, segundo o próprio mercado, a venda de imóveis novos caiu cerca de 20% neste ano, em relação a 2013. O fato é que o comprador tem se deslocado do novo para o usado”, afirma o presidente da CMI/Secovi-MG, Otimar Bicalho. 
 
Segundo ele, a retração de “apenas” 3% no número de negócios fechados sinaliza que houve uma transferência do comprador, que optou pela compra do imóvel usado, uma vez que as imobiliárias têm registrado quedas expressivas na comercialização de apartamentos novos. E a explicação para este movimento está, principalmente, no preço. “É como no mercado de automóveis. O zero custa muito mais caro e está encalhando nos pátios das montadoras. Já os usados estão mais atrativos”, compara. 
 
Desconto
 
De acordo com Bicalho, o apartamento usado custa entre 15% e 20% menos do que um imóvel novinho em folha, na mesma região. “É uma questão de modernismo”, avalia. Ele também diz que o consumidor tem mais chances de barganhar descontos se seu interesse são as chaves de um apartamento mais antigo. Já com as construtoras, a negociação costuma ser mais difícil. 
 
“O preço não baixou em nenhum dos casos. Mas a empresa tem menos estrutura para flexibilizar a venda. Já o proprietário pode estar mais aberto a negociar”, afirma. 
 
O valor médio dos apartamentos registrados na capital nos sete primeiros meses do ano foi de R$ 445 mil, acréscimo de 14% no comparativo com 2013, quando o patamar foi de R$ 389 mil (valor referente ao apurado até julho). Em dezembro do ano passado, a média foi de R$ 407 mil, conforme divulgado em análises anteriores.
 
Movimentação atinge R$ 5 bi
 
Nos primeiros sete meses deste ano, o valor calculado sobre todas as escrituras lavradas, que correspondem às vendas totais de imóveis, chegou a R$ 5,10 bilhões.
 
O montante equivale a um crescimento de 11,26% na comparação com o mesmo período de 2013, quando a movimentação financeira rendeu R$ 4,58 bilhões. A arrecadação do ITBI responde, atualmente, a 2,5% do preço do imóvel.