Oferecidos pelas construtoras como excelente alternativa para a compra da casa própria, os imóveis na planta podem transformar o sonho em um longo pesadelo. Isso porque as vantagens financeiras oferecidas pelas construtoras são insignificantes e não compensam o pagamento de aluguel até a entrega das chaves ou os riscos de atraso na obra ou de a construtora falir. 
 
Normalmente, as parcelas dos imóveis na planta são corrigidas pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que mede os custos da construção no país. O índice é mensal e, segundo o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMMG), Sílvio Saldanha, girou em torno de 7,5% ao ano nos últimos cinco anos. 
 
Isso significa que, a cada 12 meses, o consumidor pagará somente em juros para a construtora cerca de R$ 7,5 mil a cada R$ 100 mil do valor do imóvel. 
 
Em uma oferta real, de uma construtora sediada na Região Leste, um apartamento oferecido por R$ 221 mil para entrega em três anos – mediante sinal de R$ 7.735,88, com duas intermediárias de R$ 3.978,45 e 17 mensais de R$ 1.040 – acaba custando muito mais quando o INCC é aplicado.
 
Sem o índice, o saldo residual (que é o valor que resta depois dos três anos de financiamento direto com a construtora, e que deverá ser renegociado com um banco comercial, normalmente equivalente a 70% do preço total) fica em R$ 187.650,23.
 
No entanto, quando os 7,5% anuais são aplicados retroativamente, o valor a ser pleiteado no banco salta para R$ 212.279,32. Ou seja, o montante a ser financiado no banco, depois de três anos de desembolsos, é muito próximo ao preço inicial.
 
Enquanto o INCC gira em 7,5%, os juros da Caixa para habitação são de aproximadamente 7,99% (para quem é ou se torna cliente do banco). Como a Caixa só financia imóveis com habite-se, os riscos são menores. Afinal, neste caso o imóvel está pronto (ou praticamente pronto). 
 
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