SÃO PAULO - O fundo Mubadala e a trading Trafigura estão disponibilizando um empréstimo emergencial de até US$ 150 milhões para a MMX, do empresário Eike Batista.
Os recursos vão permitir a empresa não interrompa seus investimentos e afaste o fantasma da recuperação judicial, apesar da complicada situação do seu caixa.

Eike acertou a venda de 65% do porto do Sudeste, um dos ativos mais atrativos do empresário, para o consórcio Trafigura/ Mubadala na quinta-feira da semana passada.
Conforme antecipou a Folha de S.Paulo, o empréstimo foi uma das condições que determinou a vitória do consórcio em relação aos demais pretendentes ao porto do Sudeste.
A trading suíça Glencore perdeu o negócio por conta desse empréstimo e por uma diferença de US$ 100 milhões. O consórcio de brasileiros -CSN, Vale, Gerdau e Usiminas- também estava interessado.

Carlos Gonzalez, presidente da MMX, confirmou ontem, em conferência telefônica com analistas, que o negócio ainda depende da renegociação das dívidas da empresa entre os novos compradores e os bancos credores.
"Essa renegociação já vinha ocorrendo entre os bancos e os demais candidatos antes de anunciarmos o negócio. É um ponto tranquilo", disse Gonzalez. A empresa não divulga quem são os bancos credores, mas, conforme apurou a reportagem, entre eles, estão Bradesco e BNDES.

Durante a conferência, a empresa informou que o porto do Sudeste foi avaliado em R$ 6,15 bilhões no negócio, o que significa que os novos sócios pagaram R$ 3,9 bilhões por 65% do ativo. O valor do porto foi determinado por três fatores: os ativos (R$ 474 milhões), a dívida (R$ 2,73 bilhões) e os royalties (R$ 2,94 bilhões).
Os detentores dos títulos MMXM11 têm direito a receber como royalties cerca de US$ 5 por tonelada embarcada de minério de ferro no porto do Sudeste.
Dos R$ 3 bilhões de dívida que a MMX tem hoje, R$ 2,73 bilhões serão transferidos para o porto do Sudeste e R$ 300 milhões, que são as obrigações com os fornecedores da mina de minério de ferro, serão mantidos na empresa.

Durante a conferência, a MMX não explicou se Eike vai manter os 67% que detém hoje dos títulos MMXM11, o que significa que o empresário teria direito a receber boa parte dos R$ 2,94 bilhões quando o porto começar a operar.
 Segundo apurado pela reportagem, Eike vai repassar parte desses títulos ao Mubadala para abater uma fatia da dívida de US$ 1,5 bilhão que o empresário tem com o fundo árabe.