O balanço do primeiro semestre de 2021, divulgado nesta terça (17) pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-MG), comprova que o setor foi um dos que menos sofreu impactos da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19. Pelo contrário: na região metropolitana da capital, as empresas registraram incremento nas vendas de imóveis novos e na geração de empregos de cerca de 20%.

Em relação às vendas, o número de imóveis novos comercializados nos seis primeiros meses do ano subiu 21,8% nos 12 municípios da Grande BH pesquisados pelo Sinduscon-MG, em comparação com o mesmo período de 2020. Somente em BH e Nova Lima, observou-se elevação de 46,62%, totalizando 2.626 unidades comercializadas. O resultado é o melhor já registrado para o 1º semestre desde o início da série histórica do levantamento, em 2016. 

De acordo com o vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel, alguns fatores ajudam a explicar o bom desempenho, como a ressignificação do valor da casa própria pelas famílias e as facilidades para o financiamento imobiliário, com taxas de juros em patamares mais reduzidos. "Mesmo diante de tantos desafios e com a pandemia ainda trazendo incertezas, o mercado segue em expansão. O isolamento social fez com que as pessoas ficassem mais tempo em casa e valorizassem mais a moradia", explica Renato.

Empregos

O bom desemprenho da Construção Civil também foi notado na geração de postos de trabalho. De acordo com dados do Cadastro Geral de Emprados e Desempreados (Caged), o número de trabalhadores no setor era de 149.788 em junho deste ano - no mesmo período de 2020, eram 124.887. O saldo positivo de 24.901 vagas representa um aumento de 19,9%.

O aumento foi ainda maior em BH, onde foram criados 19.991 postos - 21,5% a mais no acumulado dos últimos doze meses. Para Renato Michel, a aceleração nas contratações foi estimulada pelo fato de a construção civil ter sido enquadrada como atividade econômica essencial durante a pandemia da Covid-19. "A construção civil permaneceu em plena atividade durante o auge das restrições. Isso, acompanhado dos lançamentos que já haviam sido planejados em 2019, fez com que a necessidade de contrações aumentasse", garantiu o representante do Sinduscon/MG.

Oferta em queda

Um dado preocupante do balanço divulgado pelo Sinduscon/MG diz respeito à diminuição da oferta de novos empreendimentos imobiliários na capital e região metropolitana, neste ano. Em comparação a junho de2020, a retração foi de 24,1%. A situação é ainda mais crítica quando a comparação é feita com base nos números de BH e Nova Lima.

Atualmente, o estoque de imóveis novos é de 2.599 unidades - menor patamar da série histórica iniciada em 2016. Em junho do ano passado, eram 3.581 imóveis, o que representa uma diminuição de 27,42%. Segundo Renato Michel, apenas 20,5% de tudo que foi lançado nas duas cidades está disponível para venda e, se considerada a média mensal de unidades vendidas nos primeiros seis meses de 2021,  o estoque atual atenderia o mercado imobiliário pelos próximos seis meses.

"O incremento do custo com material de construção tem contribuído para desestimular os lançamentos imobiliários. Tivemos reajustes em insumos importantes, como o aço e cimento, por exemplo, que ainda não foram repassados. Infelizmente, a relação de custos e preços de venda atuais não dão estímulos para que o mercado aplique um potencial maior de lançamentos já que os preços ainda estão defasados", afirma Renato.

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