O litro do leite longa vida está 21,85% mais caro para o consumidor de Belo Horizonte neste ano. A bebida, que era vendida por R$ 2,06, em média, em janeiro, passou a custar R$ 2,51 em setembro, de acordo com a pesquisa da cesta básica da Secretaria Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional, vinculada à Secretaria Municipal de Abastecimento (Smab). O motivo do aumento foi o repasse da valorização do leite na fazenda, impulsionada pela demanda aquecida.

“Em 2013, o aumento do preço do leite longa vida já supera mais de quatro vezes a inflação. E como trata-se de um produto muito consumido, o impacto da alta no bolso do consumidor é bastante significativo”, diz o analista da Smab Paulo Otávio Rodrigues Pinto.
Indústria

O diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira, afirma que os preços mais salgados no campo foram repassados ao comércio varejista.

Contrariando as expectativas de queda, baseadas na proximidade do fim do período de entressafra e na chegada das chuvas e do calor, o que aumenta a disponibilidade de pasto, o preço do leite pago ao produtor registrou a oitava alta consecutiva em setembro. Só neste ano, o acréscimo na receita das fazendas chegou a 26,13%.

Na média Brasil, o valor bruto, que inclui fretes e impostos, alcançou R$ 1,1162, o maior patamar da série do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, iniciada em 2000.

“A indústria não tem capacidade financeira que permita absorver a alta sem que o repasse seja feito. Só que esse repasse foi bem absorvido pelo consumidor, que não deixou de comprar. As empresas estão com estoques normais. Não há excedente”, afirma Moreira. Para ele, a tendência, daqui para a frente, é a de que os preços sejam estabilizados. “Chegamos ao topo”, acredita.

Ajuste

Avaliação similar faz o pesquisador do Cepea Paulo Ozaki. Pesquisa do centro de estudos com laticínios, indústrias e cooperativas aponta que 70% dos entrevistados apostam em estabilidade em outubro. Cerca de 20% acreditam em novo aumento de preços e só 10% esperam uma queda nos valores.

“Apesar do período de entressafra, nos últimos três meses a captação de leite aumentou em Estados como Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Com condições climáticas mais favoráveis a partir de agora, a produção deve crescer mais, aumentando a oferta do produto”, diz.

Nos últimos três anos, a demanda por leite no Brasil cresceu 5,5%, enquanto a expansão na produção ficou em 4,7%.

Aumento da renda impulsiona o consumo

Demanda em alta e queda de oferta mundial estão entre as razões para a escalada do preço do leite. “Leite e derivados são produtos de alta elasticidade. Quando aumenta a renda, cresce o consumo. E o inverso também é verdadeiro”, explica o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rodrigo Alvim.

A escassez do produto no mundo é outra explicação. A Nova Zelândia, maior exportadora de lácteos, sofreu com uma forte seca. A estiagem também prejudicou a plantação de soja e milho – usados como ração do gado – nos Estados Unidos, impactando os custos e desestimulando produtores.

O cenário fez a cotação da tonelada de leite em pó disparar no mercado internacional. Em 12 meses, o valor foi de US$ 3.750 para US$ 5.050.