Analistas do mercado financeiro acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) elevará a taxa básica de juros, a Selic, em mais 0,50 ponto porcentual na semana que vem, para 13,75% ao ano. Depois disso, o colegiado deverá optar pela manutenção da taxa até o final do ano - a última reunião está prevista para novembro. Estas previsões foram retiradas das séries de estatísticas consolidadas, enviadas pelo mercado financeiro regularmente para a confecção do Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 25, pelo Banco Central.

Pela pesquisa, a primeira medida da diretoria no ano que vem será a de reduzir a Selic, para 13,50% ao ano. Até a semana passada, o mercado financeiro acreditava que o BC voltaria a promover um novo corte da taxa na reunião seguinte, mas, pelos cálculos atuais dos analistas, a Selic deve permanecer nesse patamar também em fevereiro. Como o calendário das reuniões do Copom para 2016 ainda não foi divulgado, as estimativas são feitas para todos os meses do ano que vem.

Dessa forma, para os participantes da Focus, uma nova redução, para os atuais 13,25% ao ano, apenas será vista em março. Em abril, a taxa volta a cair, para 13,00% ao ano, e, em maio, para 12,50% aa, patamar em que deve ficar também em junho. Para julho, é aguardada uma nova queda - desta vez, para 12,25% aa. Em agosto, pelas estimativas, a taxa básica descerá para 12,00% ao ano e aí ficará congelada até o encerramento de 2016.

IPCA

Finalmente o BC conseguiu fazer com que as expectativas para o IPCA chegassem aos 4,5%, porcentual definido como o centro da meta para, pelo menos, este e o próximo ano. Essa diminuição das estimativas não deixa de ser uma vitória para a autoridade monetária, mas a questão é que o primeiro indicador a chegar no alvo foi o de 2019. Para prazos menores, a taxa prevista, na melhor das hipóteses, foi mantida.

De acordo com a série de expectativas do Relatório Focus, a mediana das previsões do mercado financeiro para 2016 ficou estacionada em 5,50%, como na semana passada. Também para 2017, a mediana das projeções ficou congelada em 5,00% como na edição anterior do documento. Para 2015, porém, houve elevação no mesmo período de 8,31% para 8,37%.

Já para 2018, a mediana das estimativas caiu substancialmente, de 4,90% para 4,70% - uma redução de 0,20 ponto porcentual em apenas uma semana. Já para 2019, o ponto central da pesquisa com os analistas se deslocou de 4,59% na semana passada para 4,50% agora.

Estas alterações foram feitas depois do endurecimento dos discursos do BC não só na ata do Copom como também por meio de seus porta-vozes. Amanhã, o presidente do BC, Alexandre Tombini, deve participar de audiência pública na Câmara dos Deputados, para onde se voltará toda a atenção do mercado financeiro. Lá, certamente Tombini enfatizará a convergência da inflação para patamares mais baixos, ainda que em prazos mais longos.

PIB

De acordo com o BC, a previsão do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 passou de retração de 1,20% para -1,24%. Para 2016, a previsão para o PIB segue em +1,00%.