A auxiliar de serviços gerais Maria Aparecida de Jesus Santos, de 32 anos, que mora em Ribeirão das Neves apenas com o filho de 16 – mesma idade da mãe, quando ela o teve –, perdeu, no mês passado, um emprego de cinco anos em uma padaria do bairro Coração Eucarístico, região Noroeste da capital. O motivo alegado pelos patrões: a pandemia da Covid-19 impactou as vendas, o que os obrigou a cortar ao menos seis funcionários.

Desde a notícia, Aparecida, que dependia exclusivamente do salário mínimo para sobreviver, tenta arrumar nova colocação. Mas sem sucesso, em um mercado cada vez mais retraído. “Enviei seis currículos para padarias e não tive resposta até agora”, diz a moça, que parou de estudar na 8ª série. “Também tenho me oferecido para fazer faxinas, mas está tudo parado. O jeito é torcer para o seguro-desemprego sair rápido”, acrescenta. 

Aparecida engrossa um contingente que não para de crescer no país, especialmente em razão da crise sanitária iniciada em março, com graves efeitos econômicos: o dos desocupados. Dados da Pnad Contínua divulgados ontem pelo IBGE apontam que, de abril a junho (período de maior incidência da pandemia), o Brasil registrou redução recorde de 9,6% no número de pessoas ocupadas. 

No total, 8,9 milhões perderam postos de trabalho no trimestre em relação ao anterior. Com isso, a população ocupada ficou em 83,3 milhões, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. Na comparação com o mesmo período de 2019, a queda foi de 10,7%. Já a taxa de desocupação subiu 1,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e fechou em 13,3% (12,8 milhões de pessoas).

Foi a maior taxa de desemprego desde o trimestre terminado em maio de 2017, quando também ficou em 13,3%. E o desemprego só não foi maior porque muita gente simplesmente deixou de procurar emprego ou não estava disponível para trabalhar em meio à pandemia de coronavírus.

“Essa taxa é fruto de um percentual de desocupados dentro da força de trabalho. Como a força de trabalho sofreu queda recorde de 8,5% em função da redução no número de ocupados, a taxa cresce percentualmente mesmo diante da estabilidade da população desocupada”, explica Adriana Beringuy, analista do IBGE.

A força de trabalho potencial chegou a 13,5 milhões de pessoas, com a entrada de 5,2 milhões na categoria. Esse grupo reúne pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não se enquadram como ocupados nem como desocupados. Já o número de desalentados (gente que desistiu de buscar trabalho) atingiu 5,7 milhões, recorde também e 913 mil superior ao quantitativo de tal categoria do primeiro trimestre. 

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