A pesquisa da CNI sobre o otimismo de micro e pequenas indústrias do país, divulgada ontem, aponta quais são os principais empecilhos para um maior crescimento de tais empresas. A falta ou o alto custo de insumos continua como principal obstáculo. A pesquisa também atesta que, segundo os empresários ouvidos, a ausência e o alto custo de matérias-primas também se refletem na dificuldade de elevar estoques. 

Segundo Alexandre Mol, presidente do Conselho da Micro e Pequena Empresa da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o cenário pode servir de estímulo para uma mudança no perfil de produção das pequenas empresas nacionais – que passariam a ter o foco de atuação concentrado em fornecer matérias-primas para o restante do parque industrial. “A pandemia nos mostrou o quanto estamos atrelados a uma dependência dos produtos chineses. A capacidade de modificação e adaptação das pequenas indústrias poderia nos dar um novo fôlego se passássemos a ver neste setor uma fonte de produção destes insumos”, explica o representante da Fiemg. 

Crise hídrica

Mas, para conseguir alcançar tal cenário, outros entraves teriam que ser ultrapassados. Segundo os dados da CNI, a falta ou alto custo de energia também é apontado como um dos obstáculos ao crescimento das pequenas e microindústrias. Para o economista Paulo Casaca, do Ibmec, a possibilidade de uma crise hídrica deixaria ainda mais crítica a situação. “Não adianta falarmos em crescimento de parques produtivos se isso não estiver aliado ao aumento de infraestrutura. Estamos sob o risco de que a crise hídrica possa diminuir e muito a capacidade produtiva do país e não há demonstração de solução a curto prazo para esse problema”, avalia o economista.

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